Ao que tudo indica, nos próximos dias, haverá mudanças nas medidas de prevenção à Covid-19. Isso porque o governador Eduardo Leite oferecerá aos prefeitos maior poder de decisão quanto às medidas de isolamento social. Não está oficializado, mas é o que deve ocorrer. Se, por um lado, isto faz todo o sentido, já que Leite e seus secretários não têm condições de conhecer em detalhes a situação de cada município, a mudança também traz certo temor. Afinal, obviamente, qualquer chefe de Executivo municipal estará mais sujeito a pressões, seja da área econômica – que deseja a abertura de tudo e tem suas razões e argumentações para isso – ou da classe médica e científica – que pede lockdown e, igualmente, tem bons motivos.

Em se confirmando a expectativa dos prefeitos e havendo a possibilidade de endurecer ou afrouxar as regras conforme a real situação dos municípios, os gestores locais terão de ter critérios que lhes permitam flexibilizar ou não as regras. A decisão não poderá ser tomada com base em quem grita mais alto. Os prefeitos terão de lembrar que, se o governador com esta decisão – ainda a ser confirmada – lhes dá poder, também divide responsabilidades e culpas. Se, ali adiante, as Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), respiradores e medicamentos não bastarem para a quantidade de doentes necessitando de atendimento, o povo irá responsabilizar o gestor local, que de posse de dados concretos e vendo in loco a situação tomou a decisão errada.

Há de se pensar ainda, antes de estabelecer qualquer regra, se esta será cumprida e fiscalizada. Caso contrário, servirá apenas para enganar alguns poucos que preferem não ver o que está bem claro. Muitas das regras atuais não são cumpridas à risca pela população em geral. Festas clandestinas seguem ocorrendo, assim como reuniões de amigos e familiares. Os estabelecimentos comerciais também recebendo clientes. Fazemos uma falsa quarentena e o vírus segue se proliferando.

Alguns dirão que isso ocorre porque as regras foram impostas pelo governador, não condizendo com a realidade local. Com a liberação para que os gestores municipais tomem as decisões, isso poderá ser resolvido. Bastará que o Executivo local faça a exigência que considere justa e necessária, e que cobre seu cumprimento, sem fechar os olhos para quem driblá-la.

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