Reencontros de colegas, o professor explicando no quadro, as dúvidas individuais engrandecendo uma discussão coletiva. Estes são alguns dos pontos positivos do retorno das aulas presenciais, que devem ocorrer a partir da próxima segunda, dia 28, conforme o escalonamento proposto pela prefeitura de Montenegro, respeitando regras do governo estadual. Ao olhar para cada instituição de ensino, porém, percebe-se que são diferentes mundos tentando se adaptar a um mesmo calendário e a regras que, mesmo que extremamente necessárias, para alguns são difíceis.

A necessidade de retomar as aulas existe tanto pelo ponto de vista pedagógico quanto da rotina das famílias. Mas a necessidade de protocolos indispensáveis separa as instituições com recursos próprios das redes que dependem do poder público. E, dentre as públicas, também há discrepâncias. Enquanto o colégio particular tem tapete sanitizante na entrada, há escola pública sem o mínimo de materiais de proteção individual para garantir a segurança de alunos, docentes e funcionários. Vem justamente da falta de funcionários uma grande preocupação. Se a volta às aulas só pode ocorrer com escolas sendo sanitizadas numa frequência muito maior que a praticada antes da pandemia, é óbvio imaginar que mais pessoas terão de se envolver neste trabalho. Mas se há funcionários em quantidade reduzida e, em alguns casos, afastados por estarem em grupos de risco da Covid-19, como essa limpeza será feita?

Seria injusto exigir que a rede pública oferecesse um nível idêntico ao da particular em diversos aspectos. Isso nada tem a ver com merecimento. As crianças merecem o máximo em prol da sua educação e desenvolvimento. Mas as redes municipal e estadual atendem a um número muitas vezes superior a de qualquer colégio particular. Igualmente injusto seria criticar a rede particular por oferecer o que há de mais moderno e eficiente para as crianças cujos pais lhe depositaram confiança.

O que pode e deve ser cobrado é que critérios mínimos sejam atendidos por qualquer escola. As que quiserem e puderem fazer mais, ótimo. Mas todas, sem exceção, precisam garantir um ambiente seguro para as crianças, onde elas possam estudar e evoluir intelectualmente como é de direito. E os pais fazem parte disso. Estes não podem se satisfazer com um portão aberto. Têm de exigir que tudo esteja de acordo com o que as regras sanitárias impõem. A saúde e o aprendizado das nossas crianças são importantes e ambos precisam ser um objetivo constante, dos gestores públicos e, também, da sociedade como um todo.

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