A destinação do lixo é um problema para praticamente qualquer gestor público municipal. São toneladas e toneladas de resíduos que todo cidadão gera – em menor ou maior escala dependendo da sua consciência ambiental – mas que ninguém quer ver na frente da sua casa por muito tempo. E nem pode, por questões de saúde pública. Se mal destinado, o lixo também é um gravíssimo problema ambiental, já que vai parar nos rios poluindo o bem finito mais precioso. E, além de tudo isso, é um problema de gestão nas cidades já que as empresas que prestam o serviço nem sempre atendem a demanda da forma correta. E isso considerando que uma parte representativa do IPTU pago pelos cidadãos é usado para pagamento destas empresas. Quantas não foram as notícias de cidades – incluindo Montenegro – que por alguns dias se coleta tiveram a sua rotina e limpeza extremamente impactadas?

Por todas estas razões, a notícia de que uma comitiva de Consórcio Intermunicipal do Vale do Caí (CIS-Caí) esteve no Paraná para conhecer um projeto que pode revolucionar a coleta de resíduos sólidos na região é tão relevante. Trata-se do projeto Lixo 5.0, desenvolvido pelo Governo do Estado do Paraná e parceiros que visa o uso de novas tecnologias de tratamento de resíduos sólidos e geração de energia. Neste caso, o lixo não segue para aterro sanitário, mas sim recebe tratamento térmico em uma usina de termomagnetização, que usa o calor como forma de recuperar, separar ou neutralizar determinadas substâncias ou reduzir a massa e volume dos resíduos. No final, é possível dar um destino sustentável ao lixo doméstico.

Não é algo que vá se resolver em pouco tempo ou a partir de uma visita apenas. Demandaria investimento financeiro e o engajamento da sociedade do Vale do Caí para tornar real este projeto na nossa região. Para início de conversa, um estudo sobre o investimento necessário para instalar uma dessas usinas na região foi solicitado para a empresa que produz a máquina. Se a ideia vingar, poderia ser muito representativa para o Vale do Caí considerando que a máquina apresentada à comitiva tem a capacidade de processar até 10 toneladas de resíduos sólidos por dia. Se Montenegro, maior cidade do Vale do Caí, produziu em 2021 uma média mensal de 3,5 toneladas ao dia, do ponto de vista industrial, seria possível atender toda a região. Mas o custo é alto. Diante de tantos desafios, a novidade soa como uma grande possibilidade, mas que exigirá muito empenho para haver resultado concreto.

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