Essa semana, o Brasil parou para ver a justiça à morte do menino Bernardo, assassinado cruelmente na cidade gaúcha de Três Passos com apenas 11 anos, sendo feita. Vimos e ouvimos depoimentos emocionantes. Os acusados de matar e esconder o corpo falaram, além de muitas testemunhas que trouxeram ao caso ares de enredo de filme de terror. Uma criança nascida em família com abundantes recursos materiais, mas que no inverno não tinha roupas quentes pra vestir. Tinha uma casa confortável, mas era visto vagando sozinho pelas ruas. Preferia dormir distante daquele lhe deu a vida.

Houve quem dissesse que Bernardo era “carente de amor”, que “morria aos poucos”, que errava exercícios da escola para que seguissem lhe explicando, que adorava passar horas na casa da “mãe de coração” ou dos amigos da escola. Ele mesmo chegou a ir ao Ministério Público pedir socorro. Uma das secretárias do pai do menino, o médico Leandro Boldrini, afirma que a madrasta do garoto, Graciele Ugulini, certa vez entrou no consultório irritada e gritando que ele precisava ser colocado no internato ou, caso contrário, tinha dinheiro para matá-lo. Diante de tudo isso, é difícil imaginar que essa trágica morte não tenha sido evitada.

Quantas pessoas tiveram a chance de salvar Bernardo? Quantos ouviram seus gritos ou seus sussurrados sinais? Muitas das pessoas que hoje choram por essa morte tiveram a chance de, pelo menos, tentar fazer algo pelo menino. Não fizeram. Talvez para evitar uma inimizade com a família. Quem sabe por não desejar se envolver. Ou, ainda, só por acharem não ter tempo. A verdade é que muitos “Bernardos” existem por aí. Alguns em situação de maior ou menor vulnerabilidade.

É responsabilidade de todo e qualquer cidadão – familiares, vizinhos, professores – denunciar ao Conselho Tutelar, ao Ministério Público ou à Polícia quando se tem indícios de que uma criança não está recebendo o que lhe é de direito. E esta autoridades têm a obrigação de levar os casos adiante e evitar que novas tragédias ocorram. Ou, depois, só restará chorar pela morte de uma criança que poderia estar entre nós.

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