A estrutura de arrecadação – e destinação – dos impostos no Brasil nunca privilegiou os municípios. Ao contrário, quase tudo que pagamos vai para o governo federal, que separa uma boa parcela e depois redistribui as sobras entre os estados e as prefeituras. Esse modelo obriga os prefeitos e os governadores a fazerem verdadeiras romarias até Brasília para, de pires na mão, conseguirem um pouco daquilo que realmente precisam para atender as comunidades que representam.
O sistema não é injusto apenas porque falta dinheiro onde ele mais é necessário, mas também porque produz despesas extras e desnecessárias. Cada vez que um governante vai até a capital, lá no meio do país, são gastas altas somas em passagens aéreas e diárias de viagem para custear hospedagem e refeições. As prefeituras acabam gastando muito para conquistar uma migalha daquilo que já deveria ser seu. Além disso, os noticiários estão cheios de escândalos em torno dessa busca. Não faltam políticos inescrupulosos, Brasil afora, tirando vantagens em cima destas circunstâncias. Para engordar os salários por meio das diárias, muitos fazem viagens até mesmo desnecessárias.
O problema precisa ser atacado em duas frentes. Em primeiro lugar, é preciso pressionar o governo federal e o Congresso Nacional a realizarem uma profunda reforma tributária, que não apenas diminua o valor dos impostos sobre o cidadão, mas assegure uma distribuição mais justa. Em segundo lugar, cabe ao cidadão fiscalizar as ações dos seus representantes – prefeito, secretários e vereadores – e analisar a relação custo-benefício das viagens. Quanto menor for a despesa e maior o retorno, melhor para a população. Não nos esquecemos jamais que nada assusta mais um governante perdulário do que a marcação cerrada do eleitor.

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