Terapeutas, gurus, pastores ou padres, todos aqueles que se propõem a ajudar os outros precisam estar cientes de que sua tarefa tem limites. Que “ajudar” é muito diferente de “explorar” e que empregar seus dons e conhecimentos para obter vantagens indevidas é crime. Os charlatães estão por toda parte, vendendo saúde e felicidade a peso de ouro, manipulando pessoas fragilizadas pela dor e até abusando sexualmente delas.

A Delegacia da Mulher de Canoas está às voltas com um caso absurdo. Sete mulheres já procuraram a Polícia para denunciar extorsão e estupros cometidos por um homem de 35 anos que se apresentava como terapeuta holístico. Uma das vítimas – a primeira a recorrer às autoridades – caiu nas garras do predador durante uma crise de depressão. O bandido prometeu curá-la, por meio de várias práticas, que incluíram até sessões de sexo. Quando se deu conta dos abusos, ela estava tão dependente e abalada emocionalmente que teve grande dificuldade para escapar de suas garras. Com as sessões, que custavam R$ 120,00 cada, e os cursos, acredita que investiu cerca de R$ 20 mil no que acreditava ser um tratamento para problemas pessoais.

O relato da vítima, reproduzido pela imprensa nesta terça-feira, é pungente. “Ele te convence que é um mestre. Tu achas que está sendo curada. Sei que é uma coisa forte, mas é como um adestramento. Ele te adestra. Te condiciona. Ele dizia que o propósito da vida dele era auxiliar na cura do ser humano. Que só queria me ajudar. Foi todo um processo de manipulação, de convencimento, de conquista da confiança. As pessoas julgam, dizem ‘como ela voltou lá? Por que não denunciou antes?’. Eu paralisei. Não conseguia fugir. Negava para mim que estava sendo abusada”, descreveu.

Casos assim são mais comuns do que se imagina, de acordo com as autoridades. Verdade que a maioria não envolve abusos sexuais, mas o mundo está cheio de “curandeiros”, oferecendo saúde em troca de valores muitas vezes até maiores do que os da medicina convencional. Com sua lábia, prometem milagres e soluções rápidas para os problemas mais complexos. E quando a “vítima” finalmente se dá conta do engodo e cobra a promessa que recebeu, alegam que ela “não teve fé suficiente”.

Que fique claro, porém, que nem todo terapeuta holístico ou guru é um pilantra. Nesta área existe, sim, muita gente honesta e dedicada a aliviar as dores dos outros. Mas desconfie das promessas grandiosas de soluções rápidas. Mesmo nos momentos mais difíceis, é preciso manter a razão para saber distinguir os bons profissionais dos exploradores. O mais importante é, ao perceber que está sendo enganado, procurar as autoridades.

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