Se o abuso sexual contra crianças e adolescentes já era uma realidade em muitos lares no passado, essa prática torpe e injustificável assumiu proporções ainda mais trágicas com o incremento tecnológico nas comunicações. Meninos e meninas que antes eram molestados pelos pais, agora são ainda expostos através de vídeos, vendidos a sites de pornografia para satisfazer a um público crescente de criminosos. A pedofilia encontrou nas redes sociais e no submundo da internet um hospedeiro útil, onde se multiplica e faz novas vítimas a cada dia.
Na manhã de ontem, um jovem foi preso em flagrante, em Montenegro, durante operação da Polícia Federal (PF) contra a pornografia infantil. Batizada de Nêmesis, a ação teve o objetivo de reprimir a prática de crimes de produção, armazenamento e distribuição de material pornográfico envolvendo crianças e/ou adolescentes. Ao todo, foram cumpridos 28 mandados em oito Estados, sendo seis no Rio Grande do Sul. De acordo com a PF, os suspeitos irão responder pelos crimes de pornografia infantil previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.
É difícil entender de que forma a imagem de uma criança nua ou mantendo relações sexuais, seja com outro menor ou com um adulto, pode garantir prazer a alguém. “É doença”, dizem alguns; “pura sem-vergonhice”, apontam outros. Não importa! Estamos falando de uma violência contra quem não pode se defender e que irá carregar esta marca para a vida toda. Assistir e compartilhar estes conteúdos, tanto quanto cometer o abuso, é um crime que precisa ser coibido.
As autoridades têm sido diligentes no enfrentamento à pedofilia, mas também é verdade que a inteligência é uma característica dos malfeitores. Logo, é preciso que toda a sociedade uma forças e apóie a Polícia. Qualquer suspeita deve ser denunciada. Um país que não protege as suas crianças coloca em risco seu próprio amanhã.

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