O debate instaurado nos últimos dias, sobre a nomenclatura conferida a Montenegro, de Cidade das Artes, chega a ser ofensivo pelo viés que tomou. Discutir a aplicação de recursos públicos é, inquestionavelmente, necessário. Este é, inclusive, um dos papeis do Legislativo e o mínimo que se espera dos vereadores. Perguntar para onde vai nosso dinheiro e solicitar a prestação de contas é um ato de responsabilidade dos edis e que precisa ser respeitado.

Mas, a despeito disso, a discussão desencadeou para o uso (ou mérito) do título concedido a Montenegro através da Lei n° 5.897, de 2014. A Cidade das Artes foi assim reconhecida pela existência das instituições de ensino dedicadas à arte. Dentre elas, Fundarte e Uergs se destacam, uma custeada com recursos municipais e a outra, estaduais. Mas não são apenas essas instituições que carregam o título “nas costas”. Temos, apenas para citar alguns exemplos, o grupo Renascença, que leva o teatro – com discussões importantes e atualíssimas – para vários cantos do Brasil e até do exterior. Há os CTGs, com suas danças, músicas, poesias e outras tantas expressões artíticas. A Amarti, que nos brinda com lindas pinturas – inclusive aquelas na beira do Caís que a gente tanto fotografa a cada belo pôr do sol. Temos teatros itinerantes e apresentações de rua. Isso, sem contar tantos outros grupos, a Rua das Poesias, com suas expressões em plena Castro Alves uma vez ao ano; os artistas individuais; os grupos musicas, de dança e de pintura e até mesmo as manifestações incentivadas dentro das igrejas e escolas da cidade. A arte está aí, para todo mundo ver, em todos os cantos. Nos falta, talvez, um olhar menos centralizado no eruditismo; ou uma observação mais atenta para as diferentes formas artísticas que Montenegro proporciona. Apropriemo-nos da arte e vivamos a cidade para que a conheçamos e possamos debater o que é, de fato, importante.

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