Nos últimos dias, uma orientação minimamente estranha tem saído do Palácio Rio Branco: o desvio às questões da imprensa. Jornalistas barrados na cobertura de eventos públicos, como o Dia D de vacinação contra a poliomielite denotam o tom da [falta de] comunicação nos últimos dias do governo Kadu Müller.

A alegação para impedir que a imprensa realizasse o seu trabalho de divulgação de um tema de total interesse comunitário ou que fizesse fotos e vídeos ao vivo em um espaço público era de que não houve pedido de permissão prévio para tal ato. Pedido esse que, diga-se de passagem, nunca havia sido necessário em coberturas semelhantes.

Os dados de vacinação, inclusive, ainda não foram divulgados; mesmo a reportagem solicitando quase que diariamente, desde o fim da campanha de imunização, há mais de uma semana. Este é apenas um dos exemplos de como as informações estão sendo impedidas de chegar até o cidadão.

Há muitas outras orientações estranhas partindo do segundo andar da rua João Pessoa, 1363. Por exemplo, embora na sexta-feira, 13 de novembro, a imprensa tenha sido convidada para uma “coletiva” dentro da prefeitura com temas esparsos, houve proibição de que os repórteres realizassem matéria sobre o aniversário da Biblioteca Pública, no dia 24, apenas 11 dias depois. A orientação que partiu foi de que a assessoria faria a matéria, mas a imprensa não poderia entrevistar os agentes públicos por “estarmos em uma situação delicada”, conforme foi repassado aos repórteres. Nem mesmo a pergunta sobre a transição de governo foi respondida pelo atual prefeito e, sim, pelo novo eleito.

A única certeza que há é de que, por parte de servidores e responsáveis por setores, há vontade de divulgar informações. Mas isso está sendo bloqueado em algum ponto da comunicação.

A questão que fica é: que situação delicada seria esta, que assombra o poder público poucos dias antes do fim do mandato e logo após as eleições? Estamos vivendo um período de blindagem ou censura de informações? E em que ponto as informações deixaram de ser públicas e passaram a ser negadas veementemente a quem tem como missão levá-las à luz da sociedade? Esperamos que pelo menos essas respostas sejam dadas e que a postura seja diferente, para que não reste, dos últimos 29 dias de governo, a certeza de que a sociedade foi privada de informações públicas, às quais deveria ter acesso irrestrito.

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