Você já reparou nas mãos de um trabalhador rural? Elas têm muito a nos dizer. Elas falam sobre o trabalho diário, de sol a sol, plantando e colhendo tudo o que consumimos. As mãos de um trabalhador rural – ou de um colono, como também são chamados os agricultores familiares -, contam histórias.
Elas contam como é levantar, mesmo antes do sol nascer, para tratar a criação, pegar no cabo da enxada, manusear equipamentos agrícolas, mexer na terra e nas plantações. As mãos do agricultor falam sobre consertar o maquinário na roça mesmo – para não perder tempo e não deixar a colheita atrasar.Elas são, geralmente, ásperas e com muitas marcas. Todas do trabalho duro.
Após anos aguardando, a paciência acabou. Os trabalhadores rurais, cansados de esperar serem notados pelo poder público, se fizeram notar no último final da semana. Desde então, o descontentamento com a falta de manutenção – que, verdade seja dita, já vem de outras administrações – está exposto na internet, nas ruas, nas rodas de conversa e em todos os cantos por onde a gente passa.
O que mais se ouve é sobre como as estradas estão péssimas e os agricultores têm pouco apoio. Os trabalhadores do campo estão cansados de esperar. A falta de infraestrutura e a ausência de explicações já fizeram a calma se esgotar. Sequer houveram justificativas, antes da última sexta-feira, para o fato de que, em algumas localidades, as máquinas da Prefeitura não serem vistas há anos. Muito menos, houve algum representante do poder público tentando transitar pelas vias que ligam as localidades, por onde diariamente passam centenas de pessoas com citros, leite, madeira, legumas, verduras e outros bens. Por onde, inclusive, diariamente o transporte escolar tenta passar com o futuro da nossa sociedade.
As mãos do agricultor mostram a força do campo. São as mesmas que produzem nosso alimento e, que agora se levantam em brados contra o descaso com esse que é um dos principais setores da nossa economia.
Os agricultores cansaram. E eles têm recebido apoio de quem os via trabalhando de sol a sol sem ao menos ter o tratamento básico. Houve promessas. Elas estão gravadas. E, se não forem cumpridas, os agricultores agora sabem que têm, nas mãos, o direito de cobrar pelo que lhes foi prometido. E eles sabem também que têm o apoio de toda uma sociedade, que já está cansada de promessas sem resultados.

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