É fácil apontar a corrupção dos políticos. Todos os dias, os escândalos estão nos jornais e na TV, alimentando milhões de postagens na internet e nas redes sociais. Da família do presidente aos governadores de vários estados e prefeitos de muitas cidades, não faltam suspeitos de desvio do dinheiro público. Alguns, inclusive, já foram até condenados pela Justiça, mas as brechas deixadas nas leis que eles próprios criaram permitem que continuem exercendo o poder e roubando. Às vezes, parece mesmo que não tem solução.

Ao mesmo tempo em que estamos testemunhando, em meio à pandemia de coronavírus que já matou mais de 16 mil brasileiros, ao superfaturamento na compra de respiradores, começam a surgir notícias de que os R$ 600,00 do auxílio emergencial estão sendo embolsados por pessoas que não têm direito. O recurso é destinado a quem perdeu o emprego ou já atuava na informalidade e ficou sem qualquer tipo de renda. Contudo, em vários pontos do Brasil, aparecem aproveitadores, que possuem outros rendimentos, mas usam a situação para embolsar o recurso. Não são, também estas pessoas, corruptas?

A verdade é que não existe diferença entre quem ganha R$ 600,00 de forma indevida e quem desvia R$ 6 milhões. É provável que, se tivessem a chance, os integrantes do primeiro grupo “pegariam” tanto quanto os políticos e os empresários que aproveitam a crise para ganhar dinheiro. Talvez devêssemos nos perguntar: quem não faria o mesmo? É difícil dizer, mas com certeza a quantidade de brasileiros honestos e trabalhadores é muito maior que a de safados e ladrões.

Por que, então, os bons exemplos não “pegam”? Por que será que as pessoas começaram a confundir decência com burrice e se sentem otárias quando cumprem as leis? Não tem como responder com poucas palavras, mas ajudaria bastante se a educação, aquela que vem de casa, fosse pautada por exemplos positivos e sólidas lições de honestidade. A nossa geração falhou, como bem mostram os noticiários, mas não podemos errar com os nossos filhos. Eles devem entender, desde a mais tenra infância, que existe honra e orgulho em fazer o que é certo.

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