A greve estadual do magistério chegou ao fim após 58 dias de paralisação. Infelizmente, sem um acordo satisfatório entre governo e professores, mas com um saldo bem grande de aulas a serem repostas. Foi uma das maiores mobilizações no Estado e gerou controvérsias entre os que defendem o direito de os trabalhadores reivindicarem por seus salários e aqueles que acreditam que as aulas não deveriam ser prejudicadas. Há diferentes pontos de vista e muitas coisas a serem analisadas na situação em que chegou o funcionalismo.
A greve é justa e os educadores lutam pelos seus diretos básicos, como salário em dia. No entanto, após tanto tempo parado, quem sai perdendo nessa queda de braço entre categorias são os alunos. Eles, que sequer têm culpa pelo cenário que se desenhou no Rio Grande do Sul, agora precisam fazer malabarismo para encerrar o ano letivo sem prejuízos em conteúdo e carga horária e poder sentir-se preparados para a próxima fase escolar ou até para a faculdade. Há, ainda, aqueles casos ainda mais graves, de estudantes que, tendo passado no vestibular, ainda não concluíram o Ensino Médio e viviam a incerteza sobre o que aconteceria em função das paralisações. O fim da greve – ainda que insatisfatório em relação a um resultado concreto – é um alívio para esses alunos que precisam seguir seus cursos. Felizmente houve sensatez em evitar que os educandos fossem mais prejudicados por uma situação da qual eles são tão – ou mais – vítimas.
No entanto, a categoria segue mobilizada em razão da negação do acordo com o Governo. A continuidade da mobilização mantém um clima de incerteza no ar. E se a greve retornar logo no início do ano letivo? Há possibilidade de, sem uma nova paralisação, haver acordo entre Governo e Cpers/Sindicato? Estão as partes dispostas a ter uma negociação que não prejudique os estudantes? São perguntas que atormentarão pais e alunos por algum tempo, até que haja uma resposta definitiva acerca do assunto. Esperamos que a solução seja benéfica a todos.

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