Existem coisas que a gente nem nota a importância. Está lá, acessível, sempre presente. E, justamente por isso, não cogitamos a vida sem. A água é uma dessas coisas. Talvez a mais importante delas. Para a maior parte da população, basta abrir a torneira para matar a sede. Num instante se abre o chuveiro e tem um refrescante banho. Falta d’água? É algo visto apenas em programas de TV que retratam o semiárido nordestino ou, quem sabe, em períodos de seca muito longa e grave. Isso, porém, também é realidade para pessoas aqui mesmo de Montenegro. A cidade tem água, sim. Mas, pra essas pessoas, ela não chega.

Estamos falando da comunidade de Muda Boi que, a cada Verão que chega, já espera pelos problemas. É que lá nessa comunidade do interior montenegrino, há um único posso artesiano. E esse, não é hoje, não suporta a demanda que aumenta com o calor. Aí o trabalhador que ficou o dia todo na lida chega em casa e não pode tomar um banho. As famílias não conseguem ter uma rotina doméstica normal – e necessária – com preparação de refeições ou lavagem de roupas. Não se está falando unicamente de fornecer um bem, mas do que vem junto dele: dignidade. Porque essas famílias não estão pedindo nada além do que lhes é de direito: acesso à água. E não é desculpa a afirmação de que a falta de água não se prolonga, sendo cortada apenas nas noites e madrugadas. Para as famílias este bem faz falta também nestes horários.

É claro que, como em todas as demais demandas da cidade, é necessário compreender que a atual gestão herdou este e tantos outros problemas há apenas uma semana e pouco teve de tempo e condições para entender o imbróglio e propor alguma solução. Mesmo assim, é difícil pedir paciência para esse povo. Aparentemente, existem pelo menos três caminhos para resolver o problema. A doação de um terreno para colocação de um reservatório. O reforço de torres já existentes e a colocação de uma caixa d’água maior. E o repasse do abastecimento à Corsan, o que geraria custo aos moradores.

Nenhuma das possíveis alternativas é fácil e, até a solução definitiva haverá de se ter uma enorme capacidade de diálogo e de ação. O que se espera da Administração Municipal é que não “empurre com a barriga” a demanda para, daqui mais alguns verões, repassar o problema sem tê-lo solucionado. Discussões similares terão de ocorrer frente a outros problemas antigos dos moradores do interior. Acesso à luz e à telefonia com serviços de qualidade são outras demandas que, entra governo e sai governo e, aparentemente, a solução não avança. Esperamos que o os próximos anos sejam de soluções. Que se converse sim com membros das comunidades, mas que se vá além da troca de informações e que se alcance, de verdade, a saída para os antigos problemas.

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