Quando o governo do Estado sugeriu o retorno gradual e escalonado das aulas nas redes pública e privada a partir de 31 de agosto, uma grande discussão nasceu na sociedade gaúcha. E não poderia ser diferente, afinal, a decisão coloca em risco a vida das crianças e dos pais e avós que convivem com elas. Mesmo que a proposta valha somente para as regiões que estiverem em bandeira amarela e laranja, o que não é o nosso caso, os pais devem estar atentos.
É perceptível que grande parte das unidades da rede particular de ensino, considerando também as escolinhas de educação infantil, tem se manifestado favorável ao retorno das crianças às salas de aula. Isso tem uma óbvia e justa razão financeira. Estado afora, há escolas fechando as portas.

Mas também há inegáveis razões administrativas e pedagógicas. A rede privada, em geral, tem salas de aula ociosas, número reduzido de alunos por turma e mais profissionais, além de recursos para higienização frequente. Isso significa que, podendo colocar menos crianças em cada ambiente, com o devido distanciamento e limpeza constante, os responsáveis pelos estabelecimentos de ensino consideram que manter os alunos em casa é prejudicar a sua formação. Aula online, sobretudo quando feita “no susto”, como agora, em função da pandemia, não oferece a mesma formação que o estudo presencial. Nossos alunos estão tendo prejuízo na aprendizagem. E as escolas particulares têm o direito de, estando melhor preparadas, querer melhorar a situação dessas crianças.

Já na rede pública, em especial na estadual, a pandemia também serviu como uma lupa sobre problemas muito antigos. O ensino remoto não funcionou como deveria. Por falta de internet, de computador, de espaço adequado, de a família poder dar suporte ou tantas outras razões. Fato é que agosto chegou e o ano letivo que deveria estar na reta final, em termos de ganho de conhecimento, mal começou. Isso não significa, porém, que agora, às pressas, devemos desesperadamente tentar recuperar o tempo perdido, colocando em risco os alunos, professores, funcionários e as suas famílias. O argumento de que “os pais que não se sentem seguros podem deixar os filhos em casa” também não é justo. Seria jogar sobre as famílias, já tão penalizadas, o peso da decisão sobre a criança perder o ano letivo enquanto os colegas não. Para que as aulas voltem, as autoridades têm de garantir a segurança dos menores. Se for possível, ótimo; se não, é melhor esperar.

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