Nesta quinta, noticiamos mais um caso de uma família separada pelo crime. Os indícios apontam que o jovem Vinicius Renato dos Santos Rosa, de 17 anos, foi morto por integrantes de uma facção. Até o fechamento desta edição, a polícia ainda fazia buscas pelo corpo.
Os motivos que levam jovens a se encantarem pela vida aparentemente fácil ofertada pelo tráfico são muitos: desde a idealização do poder, à falta de oportunidades, dívidas com traficantes, entre outros tantos. Mas, a maneira como essas pessoas saem dessa situação, salvo raríssimas excessões, é perdendo a própria vida.
Não há opções. É como um redemoinho que engole cada vez mais a dignidade e o poder de escolha de quem opta por entrar nessa onda. E as facções estão em todo o lugar: nas ruas, na prisão e, principalmente, atrás das pessoas e de seus familiares que lhes devem alguma coisas. É impossível fugir.
O falso poder do tráfico, infelizmente romantizado por algumas construções imaginárias superficiais, acaba atraindo quem pensa que os criminosos organizados são alguma espécie de irmandade de proteção mútua. Claro que há casos em que o crime pode representar uma chance de vida melhor a crianças e adolescentes sem nenhuma perspectiva, em locais onde o poder público e as oportunidades reais não chegam. Mas esses casos estão longe da realidade de muitos jovens atraídos pela ideia de, quem sabe um dia, ascender no poder paralelo e medir forças com o sistema. Esses fazem sua escolha ao estilo Foguete da Sorte, quadro famoso da TV em que o participante, sem saber do que estava falando, dizia se queria trocar ou não seus prêmios.
As oportunidades de quem escolhe o mundo do crime são, também, trocadas às cegas. Mas, com a diferença de que a chance de levar um bom prêmio pela escolha não existe.

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