Logo que os impactos da pandemia do novo coronavírus tornaram-se presentes na rotina nos gaúchos, a necessidade pareceu despertar a solidariedade. De comida a agasalhos, de dinheiro a serviço voluntário, muitas doações foram feitas por grandes empresas ou por pessoas cheias de necessidades, porém, dispostas a olhar para o outro. Em meio a tanta tristeza, tínhamos este bom sentimento ao qual nos apegar. Mais de cinco meses se passaram, porém, eles não levaram embora a necessidade.

Façamos todos um exercício mental, respondendo a duas perguntas. Quem doou alimentos, roupas ou dinheiro para alguma das muitas campanhas realizadas em março e abril? E quem repetiu a doação em maio, junho e julho? Infelizmente, muita gente, em meio ao estresse da pandemia, perdeu-se nas próprias dificuldades e esqueceu que tem gente sobrevivendo em meio a uma vulnerabilidade muito mais grave. A boa notícia é que agosto ainda não terminou e é possível dividir o que você tem com quem precisa.

No último final de semana, grande parte do nosso país continental sofreu o impacto de uma das mais fortes frentes frias dos últimos anos. Como já era esperado, coube ao Rio Grande do Sul e a Santa Catarina registrarem as temperaturas mais baixas. Neve em diversas cidades, geada em outras tantas. Sensações térmicas muito abaixo de 0º. E, mesmo com as restrições impostas pelo isolamento social, o que se viu foi muita gente “caçando” a neve nos municípios da Serra Gaúcha, que tiveram hotéis e restaurantes lotados. Mas para o que muita gente fecha os olhos são as pessoas que não têm a opção de ir comer fondue em Gramado. Seres humanos que dormem na rua e nem uma simples sopa têm para aquecer e alimentar o corpo.

É natural que após meses tão difíceis as famílias busquem por entretenimento. Os pais que viram os filhos ficarem estressados dentro de casa pelo isolamento, na primeira oportunidade que surgiu, e tendo possibilidades financeiras, ficaram felizes em oferecer às crianças um passeio. O Inverno e a neve têm um lado lúdico que encanta as crianças. Não seria justo condenar essas pessoas. Mas devemos refletir sobre o momento pelo qual passamos.

Sim, está difícil para todos. Mas, para alguns, aqueles que não podem simplesmente “esquecer dos problemas neste final de semana” muito mais. Se, para você, a pandemia ou seu impacto econômico parece ter passado porque o seu emprego se manteve ou sua área já retornou às atividades, lembre que, para muita gente, a necessidade não passou. Exercitar a solidariedade ainda é necessário.

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