No ano de 62 a.C, o imperador romano Júlio César separou-se de sua segunda mulher, Pompeia Sula, depois que começaram a circular fofocas de que ela o havia traído. Durante o julgamento – sim, naquela época o adultério acabava nos tribunais – ficou provado que tudo não passava de fake news. Mesmo assim, César quis a separação e quando lhe perguntaram o motivo, ele respondeu, impávido: “À mulher de César, não basta ser honesta. Ela tem de parecer honesta”.
Muita gente conhece a expressão, que passou a ser empregada nas situações em que não se pode admitir qualquer dúvida sobre a retidão de uma pessoa. Em nações mais avançadas, o aforismo romano não é apenas uma figura de linguagem. Sobretudo na Política, figuras com histórias obscuras costumam ser varridas do poder pela opinião pública, que só aceita governantes acima de qualquer suspeita. Se o sujeito quer “aprontar”, precisa ser inteligente o suficiente para não ser pego. Pode parecer hipócrita – e realmente é – mas funciona.
Nós, brasileiros, é que somos moles demais com aqueles que escolhemos para nos governar. Admitimos a roubalheira e ainda defendemos os safados nas redes sociais. E quando ficamos sem argumentos, recorremos ao mais rasteiro deles: “mas Fulano também roubou”. Um erro não justifica outro. Não é por que os caciques do PT enriqueceram de forma criminosa que devemos admitir que seus sucessores no comando façam o mesmo. Até porque, na campanha eleitoral, foi prometido pelos vencedores um país diferente, com ficha limpa e políticos honestos. As nomeações, em todos os escalões, precisam obedecer a este critério.
O noticiário é inquietante. A família Bolsonaro também precisa explicar muito bem os pagamentos à futura primeira-dama e as movimentações financeiras suspeitas realizadas pelo assessor de um dos filhos do presidente, eleito senador da República. É cedo para apontar o dedo indicador, mas a transparência é fundamental. O futuro governo não pode apenas ser honesto. Ele precisa também parecer que é.

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