A liberação da venda de novos agrotóxicos no Brasil, pelo governo federal, está assustando a população. Previsível, já que todos, enquanto consumidores, queremos ter acesso a produtos limpos, que não representem uma ameaça à saúde pública e aos ecossistemas. Contudo, existe muita gente se aproveitando deste tema para debates políticos e ideológicos, que acabam não respondendo a uma pergunta tão simples quanto fundamental: é possível produzir alimentos suficientes sem o uso dos defensivos químicos?
As respostas a este questionamento costumam ser baseadas em achismos e em experiências isoladas, que não consideram quantidades e custos. Óbvio que o melhor seria semear, dar à planta o tempo necessário para seu pleno desenvolvimento e deixar que a natureza cuide de todo o resto. Funciona, há provas, mas também é verdade que a rentabilidade é menor. Esta queda na produção representa preços mais altos, que provavelmente a maioria dos brasileiros não tem condições de pagar.
Os agrotóxicos são empregados, em maior ou menor escala, em praticamente todos os países e o maior risco está no mau uso. Muitos produtores exageram na aplicação não simplesmente por ganância, para ganhar mais, mas principalmente por causa da falta de informações. O sucateamento das estruturas públicas de orientação, como a Emater, deixa o homem do campo refém das orientações da indústria e dos técnicos pagos por elas que, via de regra, querem apenas vender, de preferência, em grandes quantidades.
O combate a ervas daninhas, insetos, fungos, bactérias e outras ameaças em qualquer cultura pode ser feito com elementos orgânicos – o que é o melhor – mas há necessidade de um período de conversão. Dependendo da atividade, o processo pode levar vários anos, período em que a comercialização fica prejudicada ou até mesmo impossível. Os produtores rurais, a maioria deles, certamente usaria menos defensivos químicos em suas hortas, campos ou pomares se tivessem apoio do governo e informações suficientes para absorver uma mudança cultural e tecnológica que ainda está longe de ser empregada em larga escala.

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