Quem recebe a informação de que Montenegro tem a melhor arrecadação de ICMS do Vale do Caí tende a desacreditar. É que o número parece não combinar com a realidade. Mesmo olhando para outras regiões, percebemos discrepâncias. Será que temos uma infraestrutura como Farroupilha (que teve R$ 45,7 milhões arrecadados no mesmo período)? Teríamos investimentos melhores na cidade que os de Lajeado, que arrecadou R$5 milhões a menos em 2017?
Pois a incredulidade do cidadão tem razão de ser. Essa conta pareça não fechar. De que adianta os números nos parecerem belos se, no cotidiano, a vida das pessoas não melhora? As ruas estão esburacadas, os espaços públicos sem a devida manutenção, a saúde precária. Locais para investir recursos não faltam. Bons números que não revertem na vida das pessoas não devem ser comemorados. Se a arrecadação não traz benefícios práticos, é sinal de investimentos falhos.
Quem compra em Montenegro sabe que a receita poderia ser ainda maior. Não é incomum estabelecimentos se furtarem de emitir nota fiscal. Muitos a oferecem apenas quando essa é solicitada. O cliente ignora, acha desnecessário. Mas esquece-se que essa sonegação faz com que a cidade tenha menos recursos. Quando pedir para que a Administração Municipal tape buraco na sua rua, a notinha pode fazer falta. O contribuinte tem o dever de cobrar um uso adequado dos recursos e fiscalizar. Mas também precisa fazer a sua parte.

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