Todos nós sabíamos – ou deveríamos saber – que seria impossível passar pela pandemia de Covid-19 sem deixar um rastro de sequelas. Em parte, porque a rapidez com que o vírus chegou e o tempo pelo qual a pandemia se prolonga pegou não apenas nós, mas o mundo de surpresa. Porém, isso também ocorre pelas nossas deficiências. Se já tínhamos um sistema de saúde que, apesar de importantíssimo, tem falhas, era de se imaginar que para suprir a demanda de atendimentos do coronavírus, outros importantes serviços ficariam para trás.

Na semana passada o Ibiá destacou a espera – por vezes muito longa – por consultas e procedimentos especializados em Montenegro. Na cidade, são quase 4 mil pessoas que esperam por procedimentos de saúde em “filas” organizadas pelo governo do Estado. Na edição de hoje destacamos como está a situação no Hospital Montenegro 100% SUS, que é referência para muitas cidades numa série de de procedimentos. Recentemente, a instituição divulgou a retomada dos atendimentos, de forma gradual, iniciando com a área de ginecologia. O fato é que o período sem realizar os procedimentos causou ampliação na espera por cirurgias que, podem até não ser urgentes, mas são importantes para quem, por exemplo, convive diariamente com a dor.

No total são 87 pacientes aguardando cirurgias ginecológicas, 34 de bucomaxilofacial, e 505 pacientes aguardam por cirurgia geral, por exemplo. Isso é o resultado de mais de um ano sem realizar cirurgias eletivas. Não se trata de cenário restrito ao HM, se repete por praticamente todas as casas de saúde, que tiveram de fazer escolhas e garantir leitos ao atendimento dos pacientes com Covid-19. Mas é necessário agora, com o fôlego melhor nos hospitais, apesar da pandemia ainda não ter acabado, que reforcemos os esforços para correr atrás do prejuízo. Tanto que o governo estadual acaba de lançar um programa de incentivos hospitalares. Alguns dirão que, antes da pandemia, também se passava anos esperando uma cirurgia eletiva no sistema único de saúde. Há relatos revoltantes disso. Mas, se nos últimos meses ampliamos tanto nosso sistema de saúde para atender a alta demanda, agora, podemos usar essa mesma força de trabalho para oferecer aos pacientes a cirurgia, o procedimento ou a consulta que necessitam em um tempo que lhes respeite a dignidade.

Deixe seu comentário