“Samba de uma nota só”, com música do grande Antonio Carlos Jobim e letra de Newton Mendonça, fez muito sucesso no ciclo da Bossa Nova. Eu, como colunista iniciante, abordei por duas vezes a questão do envelhecimento humano. Gostaria de ter publicado mais uma coluna, porque é um assunto muito amplo e, se não interessa, deveria interessar a todos. Mas pensei que poderia correr o risco de ser taxado de colunista de um assunto só, sem a glória ou o sucesso do samba. Por isso resolvi deixar para mais tarde. E o mais tarde está sendo hoje.

Viver mais é um objetivo legítimo que a humanidade busca há muito tempo, com relativo sucesso. Mas isso só não basta. É preciso também viver bem, porque só colecionar anos talvez não valha a pena. Pode ser um castigo imerecido.

Gerontologia é o estudo do envelhecimento, em todos os seus aspectos. Já a Geriatria é a especialidade médica voltada para a promoção de saúde, prevenção e tratamento das doenças, reabilitação funcional e cuidados paliativos. Ambas devem ter como objetivo, em primeiro lugar, o envelhecimento saudável, com o mínimo de doenças. Mas não apenas saudável. Mais importante: envelhecimento ativo. E o que vem a ser isto, afinal? Além de saúde, boa capacidade funcional, física e cognitiva, e principalmente: engajamento ativo com a vida. É ter autonomia, ou seja, capacidade de tomar decisões e gerir a própria vida; independência, que é a capacidade do autocuidado e aptidão para as atividades da vida diária. Além disso, ter relações sociais que enxotem a praga do isolamento e manter fortes vínculos familiares.
Não é possível deixar de citar a grande importância de participar de grupos de convivência de terceira idade, com as múltiplas atividades que podem oferecer, além de convívio com pessoas com alguma afinidade e interesses comuns.

Lembro muito bem do início das atividades dos chamados Bailes da Terceira Idade. Muitos vinham consultar nos dias anteriores aos bailes, para ver como estavam de saúde. Não escondendo uma certa ansiedade e expectativa. O que mereciam estas pessoas era acima de tudo respeito e jamais serem ridicularizados, com a pecha de velhos assanhados.

Conselhos, se fossem bons, se vendiam; não se davam. Mas quem sabem algumas dicas não possam ser de alguma utilidade.

Dieta saudável: comer apenas o suficiente, não esquecendo que é melhor gastar mais tempo na feira do que no supermercado ou na farmácia. Ou seja, buscar mais uma alimentação natural do que processada com múltiplos aditivos químicos. Atividade física regular, se possível três ou mais vezes por semana. E ainda, exercícios de reforço muscular. Não esquecer que existem muitas academias ao ar livre, com aparelhos e equipamentos. Ajudam a combater a sarcopenia, um termo ainda pouco difundido, e que vem a ser a perda de massa muscular, e consequente perda de força. Inserção social, o melhor antagonista para a solidão e a depressão. Não esquecer da importância do convívio intergeracional com pessoas de diferentes idades. É muito bom para os mais idosos e também para os mais jovens. Saúde emocional, com atitudes ativas, otimismo e esperança. Como é bom conviver com idosos que acumularam ao longo da vida, mais sabedoria do que conhecimento, mais experiências do que ressentimentos. Controles médicos periódicos ou permanentes, vacinação, exames preventivos,reabilitação, etc.. etc… etc..

Concordam com algo do que lhes escrevi? Pois então arregacem as mangas e mãos à obra. Sucesso.
Grande abraço.

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