DA PREVIDÊNCIA, SIM. DA VIDA, NÃO.

A aposentadoria ou outros benefícios que conhecemos hoje, como mecanismos ou instrumentos de proteção social, são ainda bastante recentes. Aqueles que no avançar dos anos, por doença ou outros infortúnios, perdiam a capacidade de prover seu sustento pelo próprio trabalho, dependiam de seus recursos acumulados, do amparo da família ou da caridade pública.

No Brasil, a Lei Eloy Chaves, de 1923, ao criar as Caixas de Aposentadorias e Pensões para ferroviários, é considerada o marco inicial das políticas de seguridade social.

É ainda hoje um assunto de grande complexidade. Depende do equilíbrio de muitos fatores, como aspectos demográficos, estatísticos e atuariais. São os valores descontados como contribuição previdenciária e o trabalho da população economicamente ativa que garantem o aporte necessário para assegurar dignidade aos anos finais da vida de quem já muito fez.

Mas na coluna de hoje pretendo considerar mais os reflexos da aposentadoria na vida das pessoas do que os aspectos previdenciários.

A palavra aposentadoria remete à ideia de recolher-se aos seus aposentos, ou seja, à inércia e imobilidade. Para outros significa“vestir o pijama”, ou “pendurar as chuteiras”. Todas conotações claramente negativas. Melhor seria dizer que é o ato em que uma pessoa deixa de trabalhar ativamente para passar a última etapa de sua vida de maneira descansada e livre. A maioria das coisas da vida não são intrinsecamente boas ou más, mas podem tornar-se boas ou más. Também a aposentadoria: anjo ou demônio? Um bem ou um mal? Crescimento ou estagnação? Por isto é fundamental preparar-se para a aposentadoria.Criar expectativas. Para uns pode ser liberdade, novas oportunidades, esperança de uma melhor qualidade de vida. Para outros, isolamento social, inatividade, depressão, solidão. Pode ser o melhor tempo para cuidar de si mesmo, estar perto dos familiares, ou realizar sonhos que foram adiados por falta de tempo ou oportunidades. Desenvolver uma nova carreira, participar de trabalho voluntário ou de organizações sociais (clubes, Igreja, associações, grupos de terceira idade); atividades físicas, individuais ou coletivas; ESTUDAR (universidade da terceira idade, aprender um novo idioma, música,etc); trabalhos manuais, jardinagem, hobys, viajar. Ou simplesmente: FAZER O QUE DER NA TELHA. Ou ao contrário: não fazer nada, deixar-se contaminar por diversos medos, como adoecer, empobrecer ou morrer. A inatividade, o isolamento social e a falta de projetos para o futuro favorecem a perda de papéis sociais, e o adoecimento físico e mental.

Aposentar-se pela Previdência, sim. Aposentar-se da vida, não. Porque é antecipar a morte.
A aposentadoria não é um atributo da juventude, mas do envelhecimento. Por isto, não convém deixar tudo para depois. Fatalmente a natureza segue seu ritmo natural, e mais cedo ou mais tarde surgirão limitações. Mas até lá, cultivar hábitos saudáveis de vida, cuidar da saúde e ter atitudes positivas, faz toda a diferença.

Para que a aposentadoria seja tudo o que sonhamos, convém preparar-se bem e planejar esta tão importante fase da vida. A transição da vida laborativa para a aposentadoria não é vivenciada da mesma forma por todos. Depende em parte do que o trabalho representou como fonte de realização ao longo da vida, bem como da capacidade de reinventar-se e encontrar novas e desafiantes alternativas a cada novo dia.

Afinal, viver é um grande barato e um grande desafio. Não convém desperdiçar esta grande oportunidade. Porque não haverá outra .

Grande abraço.

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