Estive nesses últimos dias necessitando utilizar outras formas de transporte, pois meu carro estragou e está na oficina mecânica para reparos. Dentre essas demais alternativas, precisei do transporte coletivo da Vimsa, para deslocamento aqui da cidade até a Capital. E, como se costuma dizer quando algo nos estarrece: “Me caiu os butiás do bolso!”

A primeira infeliz constatação é a de que a Vimsa não aceita pagamento com cartões de débito na aquisição das passagens, obrigando as centenas de passageiros diários, milhares de usuários mensais, a disporem sempre da moeda corrente em espécie. Ou isso, ou não embarcam.

Cheguei eu na rodoviária aqui de Montenegro, no último sábado, por volta das 12h10min e disposto a comprar a passagem do ônibus das 13h10min com destino à Capital. A atendente me informou o preço da passagem, R$ 18,05, e eu abri a carteira e lhe ofereci o cartão de débito do Banco Itaú. A moça olhou de maneira ríspida pra mim e soltou: – Pagamento só no dinheiro. Ao que lhe respondi: – Oi? É sério isso? E ela, aparentemente sem qualquer paciência, arrematou: – Só no dinheiro.

Indignado, carregando uma mochila com algumas roupas, mais a pasta com o meu notebook, virei-me para a frente do guichê de atendimento e pensei: apesar desse absurdo, ao menos tem aqui um banco 24 horas. Vou sacar aqui mesmo, compro a passagem e tá tudo resolvido. Ledo engano. A máquina estava operando apenas para consultas, mas não havia uma única cédula de dinheiro à disposição dos clientes dos vários bancos integrantes daquele serviço.

Tenho como desnecessário dizer que, à esta altura dos acontecimentos eu já começava a suar de bravo. Entretanto, como faltavam menos de trinta minutos para a partida do ônibus pra POA, o jeito era me concentrar em uma maneira de solucionar esse impasse. Então chamei um Uber e, cerca de três minutos após estava à frente do terminal da rodoviária o motorista do aplicativo pra me levar até o Itaú, no Centro da cidade, aonde finalmente eu poderia sacar dinheiro para comprar a já tornada indigesta passagem. E assim se sucederam os fatos.

Bastante contrariado com o episódio, naturalmente me vi obrigado a refletir sobre. E a mim mesmo eu indagava: mas se eu não tivesse nenhuma condição de chamar um Uber em cima da hora e me deslocar até outro lugar para o saque? Quantas pessoas aportam na rodoviária de Montenegro, vindas das várias outras cidades da região, só portando seus cartões bancários ou mesmo aparelhos celulares com os quais imaginam poder efetuar pagamento de compra de bilhetes através de débito automático, ou mesmo pix?
Fiquei remoendo aquilo, pensando na triste extinção dos cobradores, motivo gerador de desemprego e de uma grande fila de pessoas pro embarque no coletivo da Vimsa, porque cada passageiro precisa entregar o bilhete ao motorista, sendo liberada a roleta somente após essa conferência.

E pra arrematar, no retorno de ônibus de POA pra cá, a mesma coisa. Também nos guichês da Veppo não se pode adquirir passagens para Montenegro, se não for no dinheiro, porque assim a Vimsa estipula.
Na estação da Capital ao menos o Banco 24 horas funcionou. Mas poderia ter não funcionado, por qualquer razão.

Resta a indagação: até quando esse absurdo permanecerá sendo imposto aos usuários da VIMSA?

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