A.G. Olyver
Escritor

Há alguns anos, escrevi um conto sobre uma mulher indiana, cujo entendimento da vida parecia ter saído de um mundo superior ao do ser humano ordinário. Devido a isso, todos indagavam se ela era o próximo Buda.

Os pensamentos passados no texto eram, de fato, muito simples e qualquer reflexão acerca do ser humano, do que é realmente ser humano, deveria ser suficiente para fazer disso algo óbvio. O primeiro deles é a falta de confiança que o ser humano tem em si mesmo, e do quanto ele se desculpa por tudo o que fez e o que deixou de fazer. Um pedido de desculpas é algo unicamente político e funciona, geralmente, mais para o bem-estar do ego do que alento para a alma. Desculpas deveriam ser pedidas somente em último caso. É um pedido de perdão e, se você precisa estar sempre pedindo perdão, então há algo de muito ruim nas suas atitudes e, ao invés de viver em um ciclo de desculpas, está na hora de agir e mudar suas atitudes.

Um segundo ponto importante ensinado por ela, no texto, era que, quando alguém lhe oferece alguma coisa por cortesia, cortesia maior será sempre recusar. Existe uma frase muito conhecida que diz “não há almoço grátis” e ela ensina muito sobre isso. Todos que ofertam a você algo grátis, de fato, estão tirando de si mesmos em favor de você. Entender isso e aceitar esse carinho é muito importante, mas recusá-lo é mister. Recusá-lo carinhosamente é um jeito de dizer “obrigado pelo carinho. Eu reconheço a gentileza, mas não quero lhe dar prejuízo”. Aceitar a oferta e se valer do “presente” é tirar proveito da pessoa, mesmo que pareça algo muito simplório e que a pessoa não se ofenderia ou mesmo teria grande prejuízo.

Aproveitar-se de alguém, seja pouco ou muito, ainda é aproveitar-se. E, como seres humanos, deveríamos sim apoiar-nos uns aos outros e, se temos condições de recompensar por algo que recebemos, assim devemos fazê-lo. Lembre-se: nada vem de graça. Alguém sempre paga. Que pague aquele que é justo pagar.

O terceiro ponto é relacionado à própria confiança, que entra em harmonia com o primeiro ponto. A indiana conta que muitos a veem como Buda, outros como Vishnu, outros ainda a veem como charlatã. Então ela comenta que, para cada um, ela será aquilo que eles veem, pois são escravos de seus próprios mundos particulares e ela nada pode fazer quanto a isso. Ela explica que a única pessoa que sabe realmente quem ela é, é ela própria. Existe uma frase da Christina Aguilera que levarei comigo por toda a vida e ela diz o seguinte: “Não permita que os outros definam quem você é”. Uma única pessoa é diferente para cada ser humano que a conhece. Não tente agradar a todos, pois é impossível. Seja você mesmo e poupe tempo e desgaste emocional tentando o impossível. Pare de se importar com o que os outros pensam, seja você mesmo e será feliz.

Leve esses três pontos consigo e certamente a vida será mais próspera. Faça o certo, seja justo, seja humano.

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