A pior coisa, para um policial, é tomar conhecimento de que uma pessoa foi morta. Matar uma pessoa, por vários motivos, por medo, raiva, ódio, amor, defesa, ninguém está livre. Lá estamos nós, fazendo levantamento no local do crime, ouvindo lamentos das pessoas que eram parentes ou conhecidos da vítima, procurando explicações. Testemunhas relatando o que presenciaram. A vítima ali, no chão, imóvel, passiva, sangue… muito sangue. Alguns momentos antes, estava respirando, vivendo, assim como nós. Agora fará parte, como vítima, de uma investigação, um inquérito policial, mais um número da violência.
Em algumas situações, são crimes passionais, por amor… me pergunto: como por amor? Não é cada ser humano livre para amar e ser de quem quiser? Ninguém é obrigado a amar alguém à força, por imposição de um sentimento unilateral e egoista. O amor é um sentimento tão nobre, sempre nos faz querer bem a quem amamos; é sinônimo de felicidade, jamais de ódio. Não se escolhe quem vamos amar, mas se somos correspondidos, este sentimento trará felicidade… Acredito que só existe amor quando ele é correspondido e vivido… Senão, é algo doentio e sofredor… A pessoa que mata se convence de que, se a amada não for sua, de ninguém será… que absurdo, não tem sentido. Ele tirou uma vida, destruiu a sua, a de sua família e a dos parentes dela.
Uma morte sempre trará sofrimento aos parentes, a família terá um membro que se foi, sem aviso, sem um motivo entendido, jamais retornará aos seus. É uma mãe que faltará, uma filha que ficará apenas nas lembranças, uma amiga de alguém, uma vida abreviada, extinta. Em outras situações, são mortes gratuitas, sem motivos, apenas porque a vítima estava no local e no momento errado. Ocorridas em roubos, em brigas, em fração de segundos… uma arma… um assassino ou assassinos… pessoas que estão de mal com a vida, revoltadas pela situação que vivem… as vítimas são trabalhadoras, geram o sustento de sua prole, são pais, irmãos, filhos, amigos e importantes para alguém e, com certeza, farão falta.
Outros casos são por ganância, interesses, mortes calculadas friamente, por motivos banais. Há também a violência no trânsito, que sempre abrevia muitas vidas. São motoristas embriagados, em muitos casos, que inconsequentemente, sem noção, fazem de seus automóveis uma arma letal. Estas ocorrências sempre me fazem refletir e concluir que jamais o ser humano será entendido ou previsível em seus atos.

Luis Fernando Quaresma
Comissário de Polícia Civil

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