Todos os dias, temos nossos desejos aguçados pela mídia, em comerciais que nos tornam consumidores de produtos nem sempre satisfatórios, mas que precisamos adquiri-los para fazer parte desta globalização sem sentido, que nos escraviza. Você assiste a algum comercial de produtos alimentares e eles nos são apresentados espetacularmente, enchendo nossos olhos e despertando desejos loucos de experimentá-los. A imagem é mais importante do que o sabor ou cheiro do alimento. Principalmente as redes de fast food exploram muito bem em seus comerciais este truque de marketing.
Ao entrarmos em tais estabelecimentos, visualizamos as imagens dos produtos nos cartazes, principalmente dos sanduíches e lanches em geral, e ficamos desejosos de consumi-los. Quando recebemos o lanche, vemos que o produto que consumiremos deixa muito a desejar em relação àqueles que estão com suas imagens estampadas em cartazes e banners espalhados pela loja, seja na apresentação, tamanho, sabor, etc.
Um dia destes, no centro da cidade de Porto Alegre, fui com um dos meus filhos a uma loja de uma lanchonete americana famosa, por desejo e muita insistência dele. Lá, tivemos que aguardar em uma fila para pedir, praticar nosso inglês e pagar, e em outra para pegar os lanches. Na hora de saboreá-los, tivemos que ir ao segundo andar do prédio, subindo uma escada, cada um de nós equilibrando uma bandeja, tomando todo o cuidado para que o lanche não caísse ou o copo de refrigerante virasse. Sem falar no preço alto dos lanches. Foi um ritual cansativo, como se para degustar tais produtos fosse para nós algo obrigatório, o preço a pagar, além do valor desembolsado pelos lanches. O local estava lotado, assim como nós, pessoas passavam pela mesma situação. Como já disse antes, fiz apenas a vontade de meu filho e, é claro, depois de muita insistência dele, levei-o ao local a que ele desejava ir para acompanhar a tendência dos jovens seduzidos pela mídia, como se tal ato fizesse dele um membro de uma tribo global, cidadão do mundo. Olhando os banners e cartazes expostos, alguns deles com imagens do mesmo sanduíche que comia, percebi que, se ele fosse como os das fotos, não caberia na embalagem e eu ficaria com certeza mais satisfeito, que o produto que saboreava, indignado pela situação, que me levou a este momento alimentar. Estava decepcionado com o meu sanduíche, queria um que nem o da foto. Como nossas fomes estavam a incomodar, pedimos dois “big alguma coisa”. Pelo que sei “big” é grande em inglês, mas os que comemos eram do tamanho da palavra na língua estrangeira e não o que ela expressa na tradução literal. Ao sair do local, olhei para as filas e lá estavam pessoas se sacrificando para comer os produtos da moda. Que absurdo….

Luis Fernando Quaresma
Comissário de Polícia Civil

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