A sinalização do “governo” federal em liberar aulas a distância, ao ensino médio e ao EJA, representa um retrocesso à educação pública. A medida foi discutida durante o Seminário Resistência Democrática para a Garantia da Qualidade da Educação que promovemos em parceria com o Simpa, Atempa e Sinpro.
Essa estratégia está ligada a uma política de ajuste fiscal do (des) governo Temer, que irá provocar efeitos diretos à qualidade da educação pública e elevar a desvalorização do magistério. Com a modalidade, abre-se a brecha legal para substituir uma das figuras primordiais no processo de ensino, o professor. Tutores custam menos ao Estado.
O modelo EAD para o ensino médio e EJA é excludente e não atende a necessidade da maior parte dos estudantes, que precisam de acompanhamento presencial e estímulos para estudar. O professor é peça chave neste processo.
É importante destacar que a educação a distância exige um comprometimento muito grande do estudante. Levantamentos mostram que a modalidade tem a maior taxa de evasão. Nas instituições privadas, o índice é 35,2% contra 27,9% nos cursos presenciais.
No caso da educação de jovens e adultos, temos, como particularidade, pessoas que haviam abandonado os estudos e estão retomando, ou ainda, aqueles com idade avançada, muitos deles trabalhadores, que querem complementar seus estudos com a conclusão do ensino médio.
Fui professor da EJA e este perfil de estudante requer uma atenção especial no processo de aprendizagem. Todos terão autonomia necessária para persistir e aprender por meio de um sistema EAD? Precisamos questionar e estabelecer essa discussão, já que o governo federal não faz. O que está por trás da proposta de EAD nas EJAs é uma negociata envolvendo, possivelmente, interesses de grupos privados da educação a distância.
Estamos diante de uma tentativa de sucatear o ensino público e aprofundar as desigualdades sociais. Enquanto Temer adota esta estratégia, deixa de enfrentar os verdadeiros problemas da educação brasileira, como a evasão escolar e a carência de professores e infraestrutura básica.
Quem vai pagar essa conta será a população brasileira. Há governadores que farão um esforço imenso para aderir a esta bandeira. Tenho convicção que, se esta medida prosseguir, o secretário de Educação, Ronald Krummenauer, vai ser o primeiro a abraçar o modelo e implementar na rede estadual.
Qeremos professores que ganhem de maneira digna. A educação pública e de qualidade deve ser uma prioridade para o Estado e ao país.

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