A recente tragédia de Brumadinho, pouco mais de três anos após a ocorrida na também mineira Mariana, evidenciou a falta de responsabilidade com o meio ambiente e a fragilidade da legislação, da fiscalização e da aplicação de sanções pelas autoridades. As cenas trágicas desses tsunamis de lama também revelaram a pouca atenção dada a um setor primordial para o Brasil e para o Rio Grande do Sul e que reserva enormes oportunidades na geração de riquezas e de empregos.
Como presidente da Comissão do Congresso que criou a Agência Nacional de Mineração (ANM), tive a chance de sondar estes empreendimentos, que carecem de investimentos em segurança, tecnologias de ponta, reparos ambientais e controle dos desvios de minérios.
Diante da expressiva importância do complexo mineral para o desenvolvimento econômico do Brasil, é passada a hora de, unindo recursos estatais e privados, abrir novas frentes de exploração. Hoje, o potencial geológico do solo brasileiro é superior ao de vários países que se destacam internacionalmente por sua produção mineral. Contudo, a riqueza gerada pelo nosso país com a atividade é pequena.
O Brasil precisa explorar imediatamente novas jazidas, como as das chamadas terras raras, muito demandadas pela indústria de eletrônicos, para diversificar a sua pauta de exportações ainda concentrada em minério de ferro e soja. Ao tratar com visão responsável recursos estratégicos disponíveis aos brasileiros, como nióbio e grafeno, estaremos conectados às próximas etapas do progresso mundial.
Tenho defendido que o futuro do país está no subsolo, onde há abundantes riquezas que ninguém no mundo tem igual. São cerca de 80 tipos de minerais pouco aproveitados e até mesmo desviados. Com marco legal adequado e instituições firmes, teremos condições de dar um salto.
No Rio Grande do Sul, a extração mineral também é a janela para um futuro melhor, servindo de instrumento de desenvolvimento. Com abordagem moderna e justa, a matriz econômica estadual e sobretudo o comércio externo têm muito a ganhar com a mineração.
Aliar esta atividade econômica com tecnologia já existente para redução do impacto ambiental é uma receita eficaz contra o empobrecimento do Rio Grande. Exemplo para isso são as jazidas de nitrogênio, fósforo e potássio, que se encontram no território gaúcho e que podem substituir pesadas importações de adubos voltadas à agricultura.

Lasier Martins
Senador pelo Podemos/RS

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