Grandes muros, com grades gigantes em cima. Construções cercadas com arames enrolados e cercas elétricas. Empresas de monitoramento 24 horas para manter a segurança. Câmeras de monitoramento por todos os lados, que ativam-se com movimentação de até um inseto…
Parece que a descrição acima é de um presídio extremamente monitorado, para manter os criminosos “na linha”, mas infelizmente é a realidade oposta, ou nem tanto.
A sociedade hoje precisa cercar-se de cuidados que beiram o absurdo, para se proteger minimamente. Mesmo assim, algumas vezes, toda a segurança paga não nos garante a proteção que, via de regra, deveria ser fornecida pelo Estado, que nos cobra caro por isto.
Antes de sair de casa, os “especialistas” orientam que seja observada uma lista de checagem, para evitar assaltos. Antes de chegar, outra enorme lista deve ser observada, para que surpresas desagradáveis não virem realidade. Dentro de locais públicos, o cidadão deve adotar uma série de medidas para não ser assaltado…
Afinal, quem é que vive no cárcere?
Dentro de presídios, hoje, a televisão mostra os internos fazendo churrasco, assistindo TV, usando aparelhos celulares, muitas vezes para poder extorquir os que estão do lado de fora. Aliás, até onde consta, deveria haver bloqueadores de celular em presídios, justamente para impedir que este tipo de coisa aconteça. Mas o sinal de celular muitas vezes aqui fora não funciona tão bem. Podemos ler em jornais que a lei impera, mas não a lei que assiste a todos que estão aqui fora e, sim, a lei que é criada lá dentro. O respeito lá dentro não é opção.
Percebe-se que, dentro das casas prisionais, há uma organização que não existe do lado de fora. Vamos para longe de nossas casas, vamos apontar o dedo e falar do Ceará. Caos instaurado, falta de segurança, administradores enxugando gelo…
E as ordens partem de onde?

Carlos Eduardo Vogt
Enfermeiro

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