Tenho poucas lembranças da minha infância, mas uma das que mais recordo é do meu aniversário de cinco anos. A sensação de completar os cinco dedos da mão me fazia sentir como gente grande. Afinal, na mão eu podia contar minha idade com todos os dedos.
A partir daí as coisas foram acelerando. Logo, podia contar minha idade nas duas mãos. Chegava aos dez anos sem saber quando deixei de acreditar em Papai Noel e Coelho da Páscoa. Aliás, quando estava com dez anos, podia perceber as coisas legais que minha mãe se prestava a fazer, como pegadas de coelho com farinha dentre outras várias coisas, com o único intuito de me ver feliz.
Aos 15 anos, não conseguia entender como o tempo demora para passar. Queria logo chegar aos 18, para poder ter os cabelos mais compridos, carteira de motorista e me encher de tatuagens, já que, antes dessa idade, minha mãe não achava conveniente encher o corpo com desenhos, ainda mais os que eu desejava na época. Aliás, devo agradecer pela serenidade e sabedoria dela, em não ter permitido que fizesse as tatuagens que queria fazer, pois talvez hoje estivesse trabalhando para pagar somente os reparos na pele.
Aos 16 anos, com as orelhas furadas, cabelos compridos e ainda com vontade de me encher de tatuagens, tocava em duas bandas e meu sonho de viver da música era latente. Certamente uma de minhas bandas iria fazer sucesso. Com um gravador precário, gravávamos ensaios, para melhorar. As amizades eram grandes. Todos os finais de semana, uma festa diferente. Por ventura, alguns shows, que alimentavam ainda mais o sonho de ser um Rock Star. Junto disto, os estudos tomavam tempo e o desejo de chegar aos 18.
Fiz 18, tirei a tão esperada carteira de motorista… os cabelos já não estavam compridos, as ideias eram outras, mas o sonho de ser Rock Star prevalecia.
Aos 22, faculdade!
Aos 26, formatura…
Hoje com quase 40, olho para trás e percebo que perdi bastante tempo pensando no futuro. Talvez tenha deixado de fazer coisas, viver momentos ou simplesmente estou entrando em crise, por me dar conta de que, estou com quase 40 anos, sem cabelos, sem ter virado um Rock Star, querendo voltar à magia dos cinco anos e comemorar novamente por estar com a idade que dá para encher uma mão.

Carlos Eduardo Vogt
Enfermeiro

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