Assistimos, nos últimos dias em Montenegro, momentos no mínimo curiosos sob o ponto de vista da parcialidade. De um lado, montenegrinos clamando por Justiça e pela condenação de um ladrão julgado culpado em primeira e segunda instâncias; do outro lado, estudantes, com faixas que levavam o nome de uma instituição pública, gritando palavras de ordem para que Lula fosse solto.
Vimos, com tristeza, a depredação de uma área privada onde um simples outdoor de um deputado quase causou um racha na cidade. O facebook, que costumo chamar carinhosamente de “Portal do Inferno”, ajudou a espalhar, como pólvora, diversos comentários de ódio e intolerância de pessoas que deveriam promover a paz. Faltaram morfemas para a quantidade de “istas” (fascistas, nazistas, racistas etc.) nas ofensas dirigidas aos cidadãos que apenas estavam exercendo seu direito de escolha.
Já dizia o memorável primeiro tenente e escritor Euclides da Cunha: “Estamos condenados à civilização: ou progredimos ou desaparecemos”. As perguntas que deveríamos estar nos fazendo são: a quem interessa uma nação dívida? Por que um homem é a representação do demônio e o outro de um Deus que deve ser venerado? Por que alguns podem usar o nome de instituições públicas para livrar um ladrão e outras precisam ficar quietas em casa com medo de represália?
Vivemos dias preocupantes no Brasil, onde se corre a favor da onda vermelha e onde a parcialidade nos joga mais próximos da barbárie e da anarquia. Instituiçõespúblicas não são respeitadas, cidadãos conservadores são quase que linchados à luz da bela dos olhos vendados e nada é feito. Loucas proclamam o mundo árabe contra o judiciário, o PT entra com representação contra um outdoor levantado com o suor de pessoas honestas e de bem que só queriam homenagear um dos poucos cidadãos brasileiros que não apareceu em nenhuma lista do crime organizado, inclusive elogiado pelo ministro Joaquim Barbosa e temido e respeitado por Fernandinho Beira Mar.
Chegará o dia em que olharemos para trás e diremos: maldita parcialidade. Neste dia, não lembraremos somente da profética frase, citada acima, de Euclides da Cunha, mas lembraremos também da seguinte frase de Martin Luther King: “No final, nós nos lembraremos não das palavras do nosso inimigo, mas do silêncio dos nossos amigos”.

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