Martin Francisco
Vendedor

Dos anos 70 até hoje, tivemos 10 prefeitos no município de Montenegro. Ivan Zimmer liderou o Executivo por 14 anos, Dr. Schüler por 8 anos e Percival de Oliveira por mais 8 anos. Destaco também, em 2012, a vitória de Paulo Azeredo por apenas 56 votos de diferença para Marcelo Cardona (num universo de 37.206 votos apurados).
Fazendo uma avaliação rápida, nos últimos 10 anos, tivemos quatro prefeitos em exercício, dos quais apenas um eleito completou o mandato. Em uma situação normal, teríamos dois mandatos completos e um na metade do exercício. Observando alguns números dos últimos três pleitos, temos:
– Eleições de 2008, Percival eleito com 14.640 votos. 1.393 brancos, 1.236 nulos e 5.280 abstenções.
– Eleições de 2012, Paulo Azeredo eleito com 12.580 votos. 1.936 brancos, 5.655 nulos e 6.463 abstenções.
– Eleições de 2016, Aldana eleito com 10.479 votos. 2.203 brancos, 1.915 nulos e 8.177 abstenções.
– *Brancos e nulos, na legislação atual, têm o mesmo efeito, ou seja, pessoas que foram às urnas mas não escolheram candidato algum e seus votos somam apenas para estatística, não vão para ninguém. Abstenções são eleitores aptos a votar que sequer foram às urnas.
Está clara a ascensão dos que votam branco, nulo ou faltam às urnas. Também é evidente que se esses eleitores, de fato, tomassem partido, ou seja, escolhessem algum candidato, a história política do município seria outra, afinal, pelo menos em 2012 e 2016, os eleitores desalentados somaram mais votos que os próprios candidatos vencedores. E possivelmente esse aumento na falta de representatividade tenha nos conduzido a incríveis dois impeachments consecutivos, algo histórico no Brasil, talvez no mundo, e histórico de forma ruim, diga-se de passagem.
Portanto, chegamos ao ponto crucial daquilo que gostaria de alertar. A questão que está na mesa não é somente candidato A, B ou C. O que também está posto é uma crescente parcela do eleitorado que não confia o voto a ninguém. São aqueles que não são familiarizados com o tema político, assim como os que estão descrentes frente às revelações de esquemas de corrupção. Segundo os cientistas políticos, é uma parcela expressiva de pessoas que não se sentem representadas pelos candidatos do pleito. Entretanto, por óbvio, algum desses candidatos acabará inevitavelmente sendo seu representante.
Portanto, acredito que deva haver um resgate desse eleitor desalentado, buscando reverter seu voto antes invalidado. O motivo principal, sob o meu ponto de vista, é o ganho de legitimidade: do pleito como um todo, do candidato vencedor, e inclusive das próprias futuras queixas que esse eleitor possa ter.
Esse resgate pode partir, por exemplo, das pessoas mais politizadas, que podem seduzir o desalentado ao envolvimento no ambiente político através da orientação, e não da atual abrupta polarização. Mas, sobretudo, os candidatos são os que mais devem, de fato, buscar reverter esse quadro de descrença. Com ética, planos de governo lúcidos, obras possíveis, boa prestação de serviço à população, responsabilidade fiscal e financeira, cumprimento de promessas, entre tantas outras formas de demonstrar respeito ao erário e a todo cidadão de Montenegro.

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