Cássia Oliveira
Jornalista, editora
do Jornal Ibiá

Há quem não goste do Dia dos Pais porque, infelizmente, teve um que foi ausente. Há quem não gosta do Dia dos Pais porque, mais infelizmente ainda, teve um que deveria ter sido ausente, mas usou suas presenças para deixar lembras ruins nos filhos. E há quem não goste do Dia dos Pais porque já não tem a quem abraçar nem com quem degustar aquele churrasco especial. Não me enquadro em nenhuma dessas categorias.
Sim, é verdade que meu pai, o seu José, não está mais neste plano para poder ser abraçado nem presenteado. É verdade que o sabor daquele churrasco não é mais uma opção nos domingos da família. Mas ele foi tão presente que continua sendo, mesmo não estando mais aqui. Seu José era um homem de poucas palavras. Numa conversa, ouvia mais do que falava. E, quando falava, as palavras saiam lentamente, sílaba por sílaba, sem atropelos. Ainda assim, adorava um bom bate-papo. Se saía para buscar algo no mercado, era melhor não contar com o produto pra logo. O mais provável é que encontrasse um amigo pelo caminho e o papo se estendesse. Urgência pra que, não é mesmo? Pena que o destino tenha tido pressa em levá-lo pra papear lá no céu.
Mesmo de poucas palavras, algumas frases de meu pai ficaram marcadas. Ele nunca foi de fazer grandes cobranças ou exigências. Não era de impor nada. Falava como se tivesse certeza absoluta de que eu seguiria a melhor estrada, sem que ele precisasse dizer qual era. Quando algo dava errado e nascia alguma dúvida, a resposta do seu José era sempre a mesma: eu sei a filha que eu criei. A frase vinha sempre com o peito estufado de orgulho e com a certeza de que eu faria a escolha certa. Uma certeza que eu nem sempre tinha. Ou, quando tinha, era fruto não de conhecimento, mas da prepotência típica dos adolescentes. Mas a certeza dele… essa sim tinha alicerce, era mantida de pé pela crença numa educação movida pelo amor e pelo exemplo, não pelo medo.
Os domingos de Dia dos Pais continuam felizes na minha casa. Temos um abraço entre pai e filho, afinal de contas. O Henrique, neto do seu José – e tão conversador quanto, aliás – abraça seu papai, o Júnior. Que além do nome do pai, herdou a missão de transmitir ao filho o que o nosso pai ensinou. O Dia dos Pais é, no meu entender, apenas isso: uma passagem de amor entre as gerações. Quando o Henrique abraça o Júnior, o seu José é abraçado também. Uns se vão, outros chegam. Mas os ensinamentos ficam. É…eu sei o pai que me criou.

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