Cássio Brito
Contador, Professor e Pensador

No circuito das águas, a gente se encontra.
Se mistura, se funde, se complica e descomplica, se diverte, inverte, sonha, sorri, borbulha…
No circuito das águas, a gente descansa, inventa, se une, se atreve.

É lá que a gente se acha e se encaixa, é lá que a gente percebe que somos apenas um, que todos somos iguais em nossas diferenças, que todos somos únicos em nosso coletivo e que a gente, sendo parte de um todo, somos todos, mesmo sendo apenas um…

É lá que o mar, a chuva, o lago ou o rio se transferem para um só corpo, uma só massa, um só universo… é lá que a gente chora e se abraça, é lá que a gente mata a saudade, que a gente revê a parte de nós que tinha se perdido… é lá que tudo faz sentido…

Passamos uma vida desenvolvendo nossas individualidades e potenciais, maximizando nossas forças e eliminando nossos defeitos… passamos uma existência buscando algo que não sabemos bem o que vem a ser… confundimos com a busca pelo poder, pelo dinheiro, pelo amor ou por Deus, com a busca por nós mesmos… acreditamos que, ao encontrar com aquilo que buscamos, a jornada será encerrada e poderemos descansar, mas infelizmente não percebemos que somente no circuito das águas é que a gente se encontra…

Somente no circuito das águas que percebemos que toda a nossa busca, incansável, por aquilo que acreditamos, nos faria ficar tranquilos. Percebemos a angústia da procura que sentimos ao acordar, muitas vezes, sem saber o porquê. Percebemos que toda essa insanidade, de fato, não faz qualquer sentido…

Somente no circuito das águas, no encontro conosco no infinito do universo, é que temos chance de encontrar a paz. Somente mergulhando em nós mesmos, em nossas profundezas mais escondidas, naquele canto de nós que se funde com o todo, é que poderemos sentir, de fato, fazer parte de algo; poderemos sentir, de fato, o que é ser o outro; sentir o que passa o mar, o que enfurece o rio, o que acalma o lago ou o que contempla a chuva.

É no circuito das águas que, ao fim do dia, a gente se encontra e se mistura… é lá que a gente percebe que não existe o “eu” e o “outro”, mas uma fusão de sentimentos, vontades, gostos e almas que transcende o indivíduo e se apresenta como um todo cósmico, de amor e experiências, único e fluido em sua essência, e que desagua em nossos corações a nos mostrar, sutilmente, apenas uma verdade…
Que, no circuito das águas, a gente se encontra…

Deixe seu comentário