Que mundo é esse em que vivemos? Nele, o nascimento de mais um ser humano, economicamente, na análise do PIB, é interpretado negativamente, pois é uma boca a mais a alimentar e um gasto a mais nos serviços públicos, etc. O nascimento de um bezerro, ou de qualquer outro animal com fins econômicos, ou uma safra satisfatória, é vista como um fator positivo, irá contribuir favoravelmente com o PIB do país.
Por que a saúde e a educação são tratadas com tanto descaso? Acredito que ambas, tratadas assim, contribuem com os ricos, com os detentores do capital econômico, que vivem em um mundo à parte de todos nós. Uma educação de qualidade, com pessoas cultas, essas, com certeza, serão mais criticas e desafiadoras do atual sistema, incomodando a dita elite. O mesmo ocorre na saúde, porque torna os miseráveis mais saudáveis e com forças para o questionamento de tudo o que ocorre no capitalismo, causando gastos.
O povo, há muito tempo, entrou no conformismo, no estado latente. Professores mal remunerados e desmotivados desempenham o papel idealizado pela burguesia. Muitos que abraçam essa profissão são idealistas, mas, com o tempo, perdem suas forças e seus ideais. A educação visa formar aquela mão-de-obra necessitada pelo capitalista e visa, antes de tudo, o distanciamento de ricos e pobres. Colocando cada classe em seu lugar. A educação não progride, porque, para a elite, a grande função dela é formar pessoas dóceis e úteis ao sistema político e econômico que aí está, já havia dito Foucault.
Depois de usar e dispor predatoriamente dos recursos da natureza, que contribuíram em muito para o capitalista, temos, agora, a consciência ecológica até mesmo pregada por esse. O burguês só vê a si e a seus pares nesse mundo ao qual chegamos… Que mundo é esse?

Luis Fernando Quaresma
Comissário de Polícia Civil

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