Cássio Brito
Contador, Professor e Pensador

Saudação originada no Sânscrito, normalmente utilizada na Ásia e rotineiramente entendida como: “O Deus que habita em mim, saúda o Deus que habita em ti”. Em algumas regiões, também se vê a expressão conectada com a inocência da infância, a pureza da alma, levando a entender a expressão como “a criança que habita em mim, saúda a criança que habita em ti”.
Se pararmos para refletir um pouco sobre essa expressão, em qualquer que seja sua tradução ou entendimento, percebemos o quão grande é seu significado, pois parte de uma máxima inquestionável a todas as religiões, que é a existência de Deus e o respeito de nosso corpo como Sua morada, Seu templo.
Quando somos de uma mesma crença, transmite a unicidade de almas e a onipresença de Deus, pois Ele habita em mim e em ti ao mesmo tempo, o que nos conecta de forma harmoniosa e divina, respeitando o fato de sermos pessoas diferentes e reforçando a existência de Deus em nossas vidas.
Quando somos de crenças distintas, a expressão eleva o respeito à diversidade, pois não existe discussão sobre Deus, existe a certeza de que eu carrego Ele dentro de mim e Ele respeita o Deus que você carrega dentro de si.
A distinção sobre deuses é humana, e não divina, pois divina é a unicidade no amor, ensinada em todas as religiões e crenças de que temos conhecimento!
Cada individuo tem uma alma, que carrega as dores e as alegrias de suas experiências, de sua existência. Essa alma necessita de conexões para que a existência faça sentido, precisa de preenchimento, precisa de energia, precisa de amor. Essa necessidade tem explicações na ciência, na filosofia, na medicina e nas religiões, o que a torna evidente e real ao ponto de conduzir as pessoas, dirigir as ações, aproximar ou afastar os indivíduos, seja por empatia, seja por medo, seja pela falta de entendimento sobre si, e logo, sobre o outro.
Ao internalizamos em nosso entendimento a expressão Namastê, aceitamos de imediato a existência de uma alma que necessita de conexão, entendemos que, como templo e morada, o espaço precisa ser preenchido e, acima de tudo, decidimos preencher com Deus, mesmo que não saibamos muito bem o que é Deus, ou seus ensinamentos através da vida em sociedade e harmonia com a natureza.
Além dessa aceitação, encaramos profundamente o outro como individuo, que também tem suas histórias, suas dores ou não, seu vazio ou não, carrega ainda suas alegrias, suas escolhas e sua energia. Estabelecemos nossa conexão íntima com o próximo e facilitamos, então, os relacionamentos e o convívio social.
Compartilhamos as energias boas e amenizamos as energias ruins, pois não somos mais apenas Eu, ou Ele, mas somos nós, Eu e o Deus que habita em mim, saudando e confraternizando com ele, e o Deus que habita nele. Onde existir um templo vazio, o preenchimento se iniciará de maneira irreversível, desde que regado sempre pelo respeito, pelo amor e pela atenção.
Por essa razão, meus amigos, eu desejo do fundo de meu coração, Namastê a todos vocês! Vamos exercitar esse sentimento todos os dias, e que não precisemos mais evidenciar o Setembro Amarelo como preocupação e atenção ao próximo, mas, sim, como o marco da história que nos fez mudar a atitude. Forte abraço!

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