Passado quase um século desde que foi instituído o Dia Internacional da Mulher, a luta pela questão de gênero ainda é caracterizada por reivindicações relacionadas à dignidade no trabalho e equiparação salarial, somadas a tantas outras, como promover a autonomia, participação política e garantir o direito a uma vida sem violência.

Enquanto Assembleia Legislativa, estamos desafiados a assumir causas merecedoras de grandes debates, a dialogar e contribuir na busca de alternativas para superação dos problemas que afetam nossa sociedade, e a equidade de gênero se coloca como pauta prioritária.

De acordo com o IBGE, as mulheres totalizam 51,3% da população e são 52% do eleitorado no país. A Pesquisa Nacional por Domicílio de 2012 aponta que elas estudam mais, são maioria nas universidades e ocupam 41,9% dos postos de trabalho, sendo as responsáveis financeiras de 38% das famílias. No RS, trabalham na mesma atividade que os homens, porém, com uma diferença salarial de até 30%. No país, esta diferença é de 23%.

Em pleno século 21, temos mulheres sendo tratadas como objeto, violentadas e mortas. A maioria dentro de suas casas, vítimas do machismo. Segundo a ONU Mulheres, uma a cada três meninas sofrerá algum tipo de violência ao longo de sua vida.

O Brasil já avançou muito. As gaúchas deixaram sua marca nas maiores conquistas e construções de direitos. Vivenciamos, na história recente do RS, um exemplo de como o investimento nas políticas de gênero pode apresentar grandes resultados. A criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres e a implementação da Rede Lilás garantiu ao RS a condição de ser um dos únicos estados a cumprir integralmente a Lei Maria da Penha.

Este Parlamento teve a primeira mulher presidente nos seus 180 anos, sendo ela também a primeira do Brasil. Foi pioneiro na criação da Procuradoria da Mulher. Além disso, foi a primeira Casa Legislativa do país a aderir ao Movimento Mundial Eles por Elas (HeForShe), da ONU, tornando-se promotora de iniciativas voltadas à temática, em reconhecimento ao trabalho da Frente Parlamentar dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. Mas isso não é suficiente.

Que este mês de março seja de comemoração dos direitos adquiridos, mas, acima de tudo, que consigamos fortalecer e estimular ainda mais essas mulheres a seguirem na caminhada. Estaremos juntos, em defesa dos direitos iguais para todos e todas.

Edegar Pretto
Presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul

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