Rodrigo Dias
Professor

O Hospital Montenegro (HM) foi inaugurado no dia 22 de fevereiro de 1931, por iniciativa da Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas (OASE). Hoje, todo o seu atendimento é realizado de forma gratuita e universal para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), criado para dar conta da determinação da Constituição de 1988: a garantia da saúde para toda a população brasileira pelo Estado. Antes disso, para ter atendimento médico público, existia o Inamps; esse, porém, dava conta apenas de trabalhadores que tivessem carteira assinada, deixando de fora uma parcela significativa da população.
O SUS deve ser defendido por todos, principalmente os mais pobres, já que são esses que mais necessitam. O SUS deve ser motivo de orgulho para nós, brasileiros, pois nem todos os países do mundo têm um sistema público e universal como o nosso. Hoje, nos Estados Unidos, o debate sobre a saúde é um dos temas mais importantes do processo eleitoral, pois lá essa área é predominantemente privada, o que acaba levando inúmeras famílias à falência, tendo em vista os altos custos de alguns atendimentos. No Brasil, haja vista o tamanho de nossa desigualdade social, este modelo seria catastrófico. Infelizmente, em dezembro de 2016, foi aprovada a Emenda Constitucional 95, que congela os gastos em serviços públicos. Com isso, segundo o pesquisador Francisco Funcia, a Emenda já gerou a perda de cerca de R$ 20 bilhões na área da saúde.
Nessa mesma onda, o governo Sartori, aqui no estado, fez cortes profundos no setor, os quais atingiram diretamente o Hospital Montenegro – de lá para cá, são R$ 400 mil a menos todos os meses; sem falar nos cortes do atual governo do estado, pelo fato de o Hospital não ter alcançado 100% das metas (será que todas as instituições da área da saúde que não atingiram as “metas” também estão sofrendo a mesma penalidade?).
Como se sabe, o Hospital Montenegro atende a pacientes de grande parte do Vale do Caí, inclusive alguns desses municípios fazem aportes financeiros à instituição; no entanto, por mais que se diga que tais valores são baixos, ainda assim, ao lado das emendas parlamentares, têm ajudado em sua manutenção. Ano passado, foram atendidos 18 mil montenegrinos pelo Hospital. Contudo, a Prefeitura de Montenegro não tem contribuído devidamente para o HM (nos casos de pouca e nenhuma urgência), mesmo a nossa população sendo a mais beneficiada com o Hospital. Além da devida contribuição, faz-se imprescindível que o município instale um laboratório e uma máquina de Raio X para diagnósticos, os quais permitirão que os pacientes possam ser atendidos efetivamente nos postos de saúde.
A ideia do atual ministro da Economia, de Estado mínimo, ou seja, de fazer com que se diminuam os gastos com serviços públicos, aponta para a privatização da saúde e da educação e, num país campeão em desigualdade, a lógica é absolutamente nefasta. Ora, só um Estado com políticas de bem-estar social pode gerar mais igualdade. Garantir saúde e educação para todos é o único modo de alcançar esse objetivo. A gratuidade e a qualidade do Hospital Montenegro devem ser defendidas. Hoje ele é 100% SUS. Mas será sempre assim se não tiver recursos públicos que o mantenha?

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