A doação de órgãos segue esbarrando numa grande dificuldade, que é a falta de informação e conscientização das pessoas acerca do tema Doação de Órgãos e Transplantes. Cabe a nós, trabalhadores pela causa, conscientizar sobre a importância da doação, especialmente esclarecer sobre o complexo processo que compõe o ato de doar, desmistificando-o e tornando-o um ato de generosidade, consciência e solidariedade para com o próximo.
O transplante depende da oferta gratuita, isto é, da doação de órgãos, tecidos ou partes do corpo de pessoas vivas ou falecidas. No caso de doador vivo, a pessoa estará beneficiando diretamente o seu familiar. No caso do doador falecido, a pessoa em vida ou seus familiares após a morte devem autorizar a remoção dos órgãos. Portanto, o transplante é a única área da medicina que depende da participação da sociedade.
Três peças importantes para o desenvolvimento de uma cultura doadora numa sociedade civil: um sistema de valor, a comunicação eficaz e a empatia. O desenvolvimento desses componentes, somado à vontade de realizar, é uma boa fórmula para mudar a realidade atual de 34 mil pessoas em lista de espera de órgãos para transplante.
Na educação, os professores são responsáveis pelo ensino e é com eles que devemos começar esse processo de conscientização, para que possam transmitir a seus alunos o conhecimento sobre doação de órgãos e tecidos, que pode ser usado como um trampolim para abordar princípios complexos, tais como ética, moral e altruísmo. A educação sobre doação de órgãos e tecidos deve visar crianças e jovens, pois estes possuem pensamentos livres de preconceito e facilmente aprendem novos conceitos. Assim, os alunos poderão discutir os conceitos aprendidos na escola com sua família, criando uma população mais informada.
Sabendo que os pacientes em lista de espera têm uma elevada taxa de morte e que os indivíduos têm maior risco de se tornarem receptores do que doadores de órgãos, nossa intenção é ocupar espaços nas salas de aula para trabalharmos com os professores o tema desde a educação infantil até o Ensino Médio e Técnico.
Formações têm sido realizadas com sucesso. Nesses seis anos de trabalho, já atingimos diretamente mais de 18.000 e já tivemos resultados significativos, entre os quais um documentário realizado por alunos multiplicadores do Ensino Médio que já está correndo o mundo dos festivais de cinema. Também destacamos a mudança de realidade em Montenegro, onde, em 2017, tínhamos 100% de negativa familiar e hoje temos 62% de doação.
Os principais componentes destas formações ajudam a desenvolver habilidades críticas de pensamento, criar responsabilidade social e promover discussões sobre a responsabilidade dos indivíduos.
A Fundação Ecarta segue atenta e aberta para ocupar os espaços que nos forem disponibilizados, para que possamos seguir desenvolvendo uma Cultura Doadora. Acesse e saiba mais: www.ecarta.org.br/culturadoadora.

Glaci Borges
Jornalista e Coordenadora do Cultura Doadora da – Fundação Ecarta

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