Crime e Castigo, do escritor russo Dostoiévski, é uma obra que trata dos tormentos de um jovem rapaz de poucos recursos financeiros ao cometer um crime. Lembrei-me desse livro com os episódios ocorridos recentemente com alguns professores municipais. Se o tormento de cometer um crime poderia ter proporções psicológicas tão grandes, como foi no caso do personagem de Dostoiévski, como seriam as consequências de ser acusado de algo que não se fez? Ou ser punido por algo que não sabe, como no personagem de Kafka, em O Processo?

Na remoção de aproximadamente 25 professores de suas escolas, realizada pela Prefeitura no início do ano letivo, seria prudente que o ato público fosse transparente, e seria bom que toda a ação vinda da administração tivesse em seu horizonte a Teoria dos Motivos Determinantes, citada pela juíza que deferiu liminares aos professores.

O mundo vive um avanço do conservadorismo político com o crescimento de uma direita que tem por princípio passar por cima dos direitos humanos e quiçá da democracia. Todos os atos públicos indicam quais princípios os administradores seguem. Temer e Sartori, por exemplo, combatem a crise tirando dos trabalhadores. Para quem fala no fim das ideologias, ou da diferença entre direita e esquerda, isso é ideologia de direita, e ela existe!

A democracia no Brasil é frágil e não faltam exemplos de autoritarismo no passado, mas é estranho para mim quando ouço justificativas baseadas na lógica do “sempre foi assim”. Retomo aqui a necessidade de que os administradores tenham a democracia e a ampliação dela como princípio, assim como a distribuição de renda e a defesa dos direitos humanos. Se tivéssemos tido eleições diretas para diretores, nada disso estaria acontecendo e a vontade das comunidades escolares estaria em andamento agora.

A lei municipal de remoções do Regime Jurídico precisa ser regulamentada, pois é necessário que as regras para a remoção dos professores de suas escolas sejam explicitadas. Para que a transparência garanta o aprofundamento e a consolidação da democracia.

Rodrigo Dias
Professor

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