Entre muitos prefeitos que recém completaram seu primeiro mês de trabalho, permanece a dúvida: “como faço para ser um bom prefeito”? Há uma preocupação recorrente com o temor de cometer infrações ou improbidades. Os gestores que não optam por uma boa retaguarda jurídica e administrativa se ocupam da burocracia e se afastam desse conceito de “bom prefeito”.

Do ponto de vista da ciência política e social, essa ideia está associada à satisfação da população em relação ao bem comum. E como a opinião pública faz essa avaliação? O bom prefeito não é aquele que faz mais obras, ou que trabalha mais no seu gabinete. O gestor eficiente é o “pai da cidade”. Não no sentido paternalista clássico, mas que segue algumas lógicas, como presença e segurança política, indicação de rumo e realização e entrega de serviços.

Essas lógicas se traduzem no “tripé da gestão”. São três macro áreas de atuação que devem ter uma visão holística do prefeito. O primeiro eixo é o da gestão e política. O administrador escolhe os melhores profissionais para compor o seu time, que tem metas interligadas para cada um. Há um rumo, um propósito. Aqui, entram as ações de participação e empoderamento do cidadão, desde programas locais até o uso de aplicativos de relacionamento.
O segundo eixo diz respeito aos serviços. O “bom prefeito” atua para ampliá-los e torná-los cada vez mais eficientes. Quando os recursos são escassos, estimula e motiva a equipe a fazer “mais com menos”. Também significa que as ações devem ser realizadas de forma racional para otimizar resultados, mas com “capricho e cuidado”, acolhendo a população adequadamente.

A comunicação é o terceiro eixo que faz essa engrenagem funcionar aos olhos da opinião pública. É no bem comunicar que o “bom prefeito” demonstra o rumo de suas ações e da gestão e, principalmente, consegue integrar a sociedade em projetos ou programas de governo. Há gestores que, inclusive, conseguem implementar novos comportamentos, como a resposta da sociedade, por exemplo, a iniciativas para reduzir o descarte de lixo em espaços públicos.

Quando a população percebe que o prefeito se preocupa com o município, indiretamente associa ao “pai da cidade”. Sistematizar a expectativa da comunidade é fácil, governar é difícil. Para alguns gestores, cuidar desse tripé esbarra na incapacidade de administrar os conflitos dos partidos que compõem seu governo, o que interfere diretamente na eficiência da prefeitura. Nestes casos, o debate não é sobre o conceito de “bom prefeito”, mas sim, de “bom político”. E um bom político, necessariamente, não é um bom prefeito. Já um bom prefeito, obrigatoriamente, será um bom político.

Elis Radmann
Cientista social e política

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