Quando fazemos parte de uma maioria privilegiada da sociedade, não nos importamos com intolerâncias que vemos no dia-a-dia. Não nos importa ver atos de racismo se não somos negros. Não nos importamos com homofobia porque não somos homossexuais. Não damos bola para a misoginia porque somos homens. O preço de não termos empatia nos cobrará a história. Se a intolerância contra grupos dos quais não participamos não for combatida, um dia faremos parte de algum grupo que será vítima de intolerância, porque ela se perpetua e se expande.
Por estes dias, Montenegro se surpreendeu com um cartaz que diz que a Cidade das Artes apoia um determinado candidato. Nem falemos de que está proibida campanha eleitoral neste momento. Mas vamos pensar a que ponto chega a intolerância deste candidato e de seus apoiadores que puseram este cartaz na cidade.
Para eles, NÃO IMPORTA EM QUEM TU QUERES VOTAR OU A QUEM TU QUERES APOIAR. Eles apoiam este candidato, ignoram totalmente a vontade de toda uma cidade e fazem um outdoor que diz que, porque eles apoiam a fulano, o resto da cidade também apoia. Se dão conta, gente? Não estão nem aí para a instituição que é a cidade ou o slogan Cidade das Artes. Duvido até que saibam de onde saiu este slogan. Eles impõem. E se a gente não levantar a voz contra as intolerâncias que pregam, amanhã poderão nos proibir de pensar livremente.
Não se pode confundir liberdade de expressão com a arbitrariedade de impor suas ideias.
Não podemos permitir que alguém ou um grupo de pessoas fale em nome de nossa cidade.
Ou será que as pessoas que protagonizaram esta arbitrariedade foram à sua casa e pediram autorização para falar no seu nome?
Não foram, ne?
Elas já estão calando sua voz. Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo. Deixaremos que nos tornem escravos do pensamento alheio?

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