Diante de tantos questionamentos sobre as diferenças entre as várias denominações cristãs, precisamos refletir naquilo que realmente nos une. As diferenças sempre causam divisões, e cada qual afirma para si o modelo de perfeição, pureza e verdadeira espiritualidade. No entanto, há algo muito maior do que costumes, ritos, tradições e maneiras de vivenciar e expressar a fé cristã, que é o próprio Cristo. E, olhando para Cristo, sua obra e seus ensinamentos vemos que temos muito mais o que une a cristandade do que a separa. Neste sentido, o apóstolo Paulo traz palavras em sua carta aos Efésios, dirigidas a judeus e não judeus, um claro exemplo desta unidade. A Pa. Raquel Kralike, escreve uma reflexão sobre o texto de Ef 2.11-22 no portal luteranos, da qual partilho um trecho:

“A carta é endereçada às pessoas que vivem em Éfeso e que são fiéis a Jesus, ou seja, formam uma comunidade cristã. E talvez, saber disso, nos faça ter a sensação de que essas pessoas viviam de forma muito tranquila, e tinham a mesma forma de pensar e agir, mas na verdade, a realidade era outra. Essa comunidade era formada pelos israelitas, o “povo de Deus”; e pelos gentios, os estrangeiros que haviam sido batizados. E entre eles haviam muitos conflitos! E a carta vem justamente para lembra-los de que através de Jesus, pelo seu sangue derramado na cruz, eles foram aproximados! Se a salvação é por graça, não existem motivos para que ocorram divisões, afinal, embora diferentes, faziam parte do mesmo corpo!

[…] essa carta endereçada aos Efésios quer também nos lembrar que o povo de Deus, do qual vocês e eu fazemos parte, e que é formado por pessoas diferentes, que pensam e agem de formas diferentes, é unido pela cruz de Cristo Jesus! Ela nos torna iguais, ela nos torna irmãos e irmãs! E como povo de Deus a nossa missão é ir e batizar, ir e ensinar, mas é também ir e curar, ir e promover a paz! E talvez, a pergunta que devemos nos fazer hoje é: estamos agindo como povo de Deus? Estamos cumprindo com a missão que Jesus nos deu? Estamos promovendo cura ou estamos provocando dor? Estamos trabalhando pela paz, ou por vezes, semeamos discórdia? Todos nós, vocês e eu, muitas vezes, falhamos em nossa missão de partilhar da paz que Cristo nos dá, sim, somos falhos… E é por isso que a cada novo dia, precisamos buscar Jesus e permitir que Ele, através do Espírito Santo, transforme o nosso coração, os nossos pensamentos e as nossas ações! A palavra de Deus precisa primeiro ser para cada um de nós, precisa ser verdade vivenciada em nosso dia a dia, precisa ir nos transformando, para daí então falar a outras pessoas e tocar outros corações levando o amor e a paz que só Cristo é capaz de nos dar”.

Esta paz precisa ser vivenciada através do respeito às diferenças que as denominações cristãs trazem consigo. O diálogo ecumênico nos chama a experimentarmos disso. Ecumenismo não significa cada denominação cristã deixar sua doutrina e espiritualidade de lado e adotar a de determinada igreja. Ecumenismo é a partir do respeito às diferenças poder dialogar, orar e celebrar juntos a partir daquilo que nos une, que é comum a nós. De acordo com o apóstolo Paulo a marca de nossa unidade é a cruz de Cristo. Ela representa sua encarnação, vida ministerial, sua autodoação em amor para reconciliar o mundo. A partir da cruz, podemos desfrutar da reconciliação com Deus e somos chamados a expressar esta reconciliação uns com os outros, promovendo assim o respeito e a paz.
P. Marcio S. da Costa

Avisos da semana: Culto neste domingo às 9h30min,será apenas on-line com a transmissão do Culto Sinodal pelo Facebook: Luterana Montenegro.Traga na secretaria sua doação alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal e limpeza.

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