Neste último domingo, dentro do calendário litúrgico da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, celebramos o Misericordias Domini, lembrando a misericórdia de Deus e, a partir dela, que somos chamados a refletir exatamente sobre o que é esta misericórdia e qual o seu alvo. Em primeiro lugar, misericórdia é um sentimento de compaixão, despertado pela desgraça ou pela miséria alheia. A palavra misericórdia tem origem latina, formada pela junção de miserere (ter compaixão) e cordis (coração). Significa ter a capacidade de enxergar a miséria do coração alheio, sentir o que outra pessoa sente, aproximar-se dos sentimentos de alguém, colocar-se em seu lugar, ser solidário com a dor ou a necessidade da pessoa próxima.

Ao lermos a Bíblia, observamos que desde o início da criação, Deus olhou com misericórdia para seu povo, mesmo que por vezes esse pecasse e se afastasse, Ele sempre propôs o retorno e uma nova aliança. Deus oferece com a morte de Cristo, uma nova aliança, não mais uma entre outras possíveis, mas a aliança eterna, não haverá outra. Jesus é aliança entre você e Deus e entre você e eu. Nela, somente Jesus é o caminho que leva ao Pai, à salvação. Pela morte e ressurreição de Cristo, a salvação não se limita apenas ao povo judeu, mas a pessoas de todas as raças e nações, que crerem nEle como Filho amado de Deus enviado para ser o Salvador do mundo. O alvo da misericórdia de Deus é você, sou eu, é todahumanidade.

O apóstolo Paulo escreve a Tito, líder cristão que cuidava da igreja na maior das ilhas gregas, a de Creta.Paulo trata aqui da maneira de agir das pessoas cristãs. Ser alvo da misericórdia de Deus implica reconhecer a tamanho do amor de Deus e sua graça que nos alcança, que nos move ao testemunho em palavras e ações. É uma resposta de fé! Eu sou olhado com misericórdia por Deus e assim enxergo meu semelhante. Deus destina sua misericórdia a mim e eu destino minha misericórdia às demais pessoas. Para Paulo, misericórdia não é um conceito intelectual ou sentimento vago, também não é um ato isolado ou restrito, mas é ação continua de Deus com as pessoas, na qual faz parte de sua graça e nos envolve com perdão, reconciliação, restauração, transformação e salvação. A misericórdia cristã refere-se ao modo de agir de Deus para a humanidadee da humanidade entre si.

Paulo evidencia isso no v.4, ressaltando um momento especifico de redenção na história, do qual Cristo morreu, e esta redenção volta-se como oferta a humanidade, que de acordo com o v.5, é ação graciosa de Deus em nossa direção. Em Jesus, Deus estende a salvação gratuitamente, por misericórdia, fruto de seu imensurável amor. Não é por aquilo que fazemos ou praticamos, mas é pelo que Cristo fez. E o que Ele fez é regenerador a nós. Nossas obras, caridade, bens e intelecto, nada conseguirá nos renovar ou mudar a não ser o lavar regenerador do Espírito Santo(v.6). E aqui este lavar nos aponta o Batismo, que é muito mais que simples rito da tradição religiosa. Comentando esta passagem Lutero afirma que: “a força, a obra, o proveito, o fruto e o fim do batismo é salvar”. E continua: “Porque pela palavra, o batismo recebe o poder de um lavar de regeneração”. Para Lutero, Paulo chama assim, para caracterizar a grandeza e a força da graça, da qual criatura nenhuma pode fazê-lo, pois é obra do Espírito Santo.

Interessante se faz então compreender o significado da expressão “lavar regenerador” usada aqui, a partir do original grego. Vem de termos que traduzidos querem dizer que a regeneração é acompanhada pela purificação no ato de lavar, significando o nascer de novo efetivado pela ação do Espírito Santo, que muda a mente, transforma, faz renascer como nova criatura, chamando a ser e agir diferente em sentimentos, pensamentos, palavras e ações; deixando o passado de erros, pecados e afastamento de Deus. Lembro uma citação de Jeronimo, séc. III, muito pertinente: “Dentre as coisas importantes, devemos nos preocupar com as mais importantes”. Na pauta divina o mais importante é nossa salvação, a vida eterna. Este é o desejo de Deus quando Ele, por meio de sua graça nos justifica, conforme o apóstolo Paulo afirma no v. 7. Deus, na sua infinita misericórdia, enviou Jesus para nos salvar. Por isso somos chamados a viver esta misericórdia e estendê-la às demais pessoas.Reflita nisso!
P. Marcio S. da Costa

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