Caminhando pelas ruas estreitas, antigas e cor de pedra da cidade de Cusco, no Peru, eu tive a certeza de que eu me encaixo muito bem no papel de turista. Não que aquela fosse minha primeira viagem. Mas aquela foi a primeira situação em que me vi, me percebi e me amei como viajante. De mochila nas costas, óculos de sol pendurado na camiseta, aquela com “Peru” escrito gigantescamente escrito no peito, tênis de caminhada e celular na mão pronto pra qualquer nova foto, imaginei um morador nativo me enxergando: adorei o que visualizei.

Isso foi em fevereiro de 2015, nem faz tanto tempo assim. Mas nesses quatro anos, muitos pontos relacionados ao turismo se transformaram no mundo e especialmente para mim. Essas mudanças me fizeram amar ainda mais a viagem e, mesmo assim, ter a possibilidade de me conectar com as pessoas próximas a mim – de alma e coração -, mesmo que do outro lado do mundo.

E este espaço no nosso Ibiá, que me orgulho em ocupar, será dedicado a tudo isso: à descoberta, às experiências, à viagem e às transformações.
Embarca comigo nessa?

Vá de carro, viva de perto
Eu sempre fui fã das viagens por terra. Seja de carro, de van, de ônibus, de bicicleta, de patinete. Paixão que vem de família, com certeza. Meus irmãos tinham poucos anos de vida quando meus pais decidiram colocar todo mundo no Opala verde-escuro e rumar à Brasília. Alguns anos depois, o destino foi Santiago, no Chile, de Monza. Se eu gostava? Não demorava nem um dia pra me adaptar à casa-carro e amava cada segundo desses trajetos.

Lembro das retas eternas das rodovias argentinas, das características faciais dos povos se transformando à medida que a gente avançava, dos armazéns que entrávamos para comprar bala – tentativa de entreter as crianças impacientes -, de ver a pontinha nevada da Cordilheira pela janela, de avistar animais diferentes acompanhando o carro. De esquecer tudo que tinha ficado pra trás e viver intensamente aqueles dias de turista.

Anos depois, na verdade há algumas semanas, diversos amigos me chamaram atenção para uma reportagem publicada pela Revista Versar nas suas redes sociais sobre a escolha de pessoas em viajar de Kombi. A matéria mostrou o que levou viajantes a escolherem a queridinha da VW para cruzar o estado, o Brasil, o mundo. Os principais motivos: facilidade de manutenção, espaço e a simpatia do veículo. Os mesmos que me fizeram, junto com meu marido e parceiro de aventura, apostar nas viagens terrestres mais uma vez e comprar a Analuz, nossa Kombi bordô 2003.

A gente vai encarar uma empreitada ao estilo das minhas de infância. Vamos desbravar a América Latina de Kombi. Tenho que confessar que a ideia sempre foi conhecer esse mundão com os pés – ou as rodas – no chão, mas queríamos um carro mais potente, um 4×4, mais novo, que desse menos manutenção, que fosse mais econômico, mais qualquer coisa, menos Kombi. Porém, esse veículo ideal é também mais caro. E quem está se preparando para cair na estrada por tempo indeterminado não tem tanta grana para investir em um carro.

Então, veio a sugestão da Kombi. Clássica, simpática, um amorzinho. Mas um veículo mais antigo, que não faz nem 10km por litro de gasolina, sem tração, que gosta de uma oficina como nenhum outro… mas que ganhou nosso coração. Fazer o quê? A única opção foi render-nos à paixão e encarar os caminhos de Montenegro para o mundo a bordo da Analuz.

5 motivos para viajar de carro
Quer mudar de caminho? Mude!

Este é o principal. Afinal, seu carro, suas regras. Viu um monumento muito interessante, um anúncio de desfile, uma feira na cidade vizinha? É só encostar e conhecer. Uma viagem de carro aqui mesmo, pela região do Vale do Caí, te dá possibilidades incríveis nas rodovias asfaltadas ou nas pequenas estradinhas de chão batido.

Bagagens (quase) sem limites
Uma das grandes vantagens de viajar de carro é não precisar se preocupar com o peso de cada mala, um dos dilemas vividos nos aeroportos. Enquanto tiver espaço no porta-malas, dá para levar o que quiser.

Ter mais condutores ajuda muito
Outra vantagem bem interessante é ter mais motoristas no carro. Dessa forma, além de dirigir e se preocupar com o trânsito, o condutor também pode ter momentos de descanso e de curtir a paisagem.

O caminho pode encantar
Quem já foi para a Serra Gaúcha sabe que, mesmo antes de chegar, já é possível aproveitar as belezas naturais da região. Paisagens lindíssimas que enchem os olhos e que só são possíveis de ver se você está no chão. Em outros estados e países, a situação é a mesma. Ver a Cordilheira dos Andes de cima é incrível, por exemplo. Mas encarar sua grandiosidade de baixo, lado a lado com as montanhas, é inesquecível.

Uma excelente opção para crianças e idosos
Para crianças e pessoas mais velhas, o fato de não precisar esperar durante horas em um aeroporto, ter a chance de parar no meio do caminho para comer, esticar as pernas ou ir ao banheiro também são grandes vantagens.

Compartilhar

Deixe seu comentário