Não, viver na estrada não é nada do que nos falavam. Não é legal. Não é desafiante. Não é uma vida sem rotina. Pelo contrário. Há uma rotina bem maluca. Não é nem perto a maravilha que nos falavam. É mais que o dobro. O triplo. É, hoje, a melhor vida que poderia imaginar ter.

Sempre nos perguntavam se conseguiríamos ficar sem ter para onde voltar. Gente, a gente tem uma casa. Ela anda com a gente, mas é uma casa. Tem fogão, cama, armários bagunçados e uma colcha de vó. Ah! E tem sempre muita alegria e amor. Assim é uma casa, não é?

Obviamente, não sejamos tolos: problemas e desafios temos vários, e em todos os dias, pra ser bem direto. Mas todos ficam pequenos em meio a tantos motivos para ser feliz. É sério, não é balela. Na estrada, começamos a ver tudo com mais calma e paciência, e as situações que antes nos faziam explodir de estresse agora rendem motivos até para algumas risadas.

Um vidro, duas pedradas
Só na estrada vivemos algumas situações incríveis e outras péssimas. Uma dessas bem terríveis foi tomar duas pedradas no parabrisa da Kombi. Uma causou um trincado pequeno, que não nos preocupou tanto. Mas, a segunda, foi uma sacanagem! Quebrou o vidro, voaram pequenos cacos na gente e deram um novo visual à Analuz.

Agora, estamos atrás de um lugar que arrume. Porém, diferente do Brasil, os países que estamos visitando não têm mais muitas kombis, elas pararam de ser fabricadas ainda na década de 90, o que dificulta encontrarmos profissionais e peças para reposição. Se alguém estiver vindo pros nossos lados e quiser trazer um parabrisa para nós, pagamos aqui!

Tá rolando banho, hein?
É uma pergunta bem frequente nas nossas redes sociais: como estamos nos virando com o banho? Então, respondendo ao povo, incluindo o Marcinho do Ibiá e a Dani, do Pareci, já escolhemos locais de pernoite que têm “ducha”, como chamam por aqui. Sejam postos de combustível, campings…
Sendo muito sinceros com nossos leitores, já enforcamos o banho na viagem. No total, foram quatro dias sem, não consecutivos, óbvio. Alguns foram por falta de opção, porque fomos obrigados a parar em pequenas cidades (pequenas mesmo, com no máximo 500 habitantes), em que só hotéis ofereciam banho, e por um preço muito alto.

Outras vezes, as temperaturas negativas foram as culpadas. Imaginem tomar banho morno em um posto à beira-mar, com aquele ventinho camarada entrando pela porta, em um banheiro sem aquecimento. É quase tortura. Daí, não rolou. Mas nada que não possa ser resolvido no dia seguinte, no mesmo posto, com as mesmas condições…

Um paraíso chamado Cerro Sombrero
Já imaginou um oásis no meio do deserto? A sensação maravilhosa que deve dar quando tu chega lá, com água, sombra, comida fresca, um local fresco para sentar e descansar.

É exatamente assim que nos sentimos quando, no meio da Patagônia, em território chileno, encontramos um local como a pequena cidade de Cerro Sombrero.

Primeiro de tudo: banheiros públicos limpíssimos e com papel higiênico (acreditem, isso é ouro), com duchas superquentes, calefação, Wi-fi free, tomadas 220v e estacionamento. Tudo isso de graça! Além disso, mapas das cidades mais próximas, mapa da cidade com os principais serviços sinalizados e, ao lado, computadores para uso dos turistas.

A cidade ainda conta com um cinema (dizem que é o mais antigo do Chile em funcionamento), que exibe filmes DE GRAÇA. É ou não é o paraíso para qualquer turista? Viajante gosta de uma atração gratuita como nenhuma outra pessoa na Terra.

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