Escolhemos o dia perfeito. Pena que foi só um dia. O sol devia ter nos presenteado com uma semana inteira para que pudéssemos viver ainda mais intensamente o Parque Nacional Los Alerces, em Esquel, Argentina. Por quê? Porque sempre que imaginamos o lugar dos nossos sonhos, o destino perfeito para nós nessa e em todas as nossas viagens, pensávamos em algo assim.

Montanhas com neve, pinheiros verde-escuro às margens de lagos cor de esmeralda, pássaros de todos os tamanhos e com os mais variados cantos, um colorido quente, embora o vento fosse refrescante e puro. Duvido que esse não seja o lugar dos teus sonhos também. Se é, é hora de incluir Parque Nacional Los Alerces na lista de próximos lugares a conhecer.

Começa que nesta época do ano a entrada é GRATUITA! E, sério, um parque nacional com entrada gratuita (ou ao menos barata) por aqui é bem difícil de encontrar. Então, já entramos bem felizes. Os primeiros quilômetros são de asfalto, até o ponto de informações ao turista. Daí o segundo ponto positivo: um atendimento impecável! Além de ser superatenciosa e gentil, a guardaparque ainda nos deu sugestões do que fazer em um dia de visita.

Percorremos aproximadamente 35 quilômetros dentro do parque, sendo cerca de 10 de asfalto, o restante de chão batido, mas em boas condições. Ao todo, são mais de 250 mil hectares de uma natureza intocada e única, a pouco mais de 40 quilômetros de Esquel, de onde saímos esta semana. Foram quase 20 dias “morando” nessa cidade.

O que é um Alerce?
O nome do parque se dá especialmente a um bosque com Alerces milenares. Conhecido pelos povos antigos que habitavam a região como Lahuan, o Alerce é uma das maiores e mais longevas árvores do planeta – podem viver até 4 mil anos. No parque, centenas delas ainda resistem e são extremamente protegidas.

Ficamos sabendo por moradores locais que até 30, 40 anos atrás, ainda era permitido utilizar a madeira dessa árvore, normalmente usada para telhados e parte externa de construções devido à resistência. Hoje, o corte é proibido.

“El agua vale mas que el oro”
Na volta do Parque Los Alerces, vimos uma movimentação colorida e barulhenta na praça central de Esquel. Óbvio, paramos! Nos deparamos com dezenas de versões dessa frase do título. Na verdade, faz um certo tempo que esse dizer nos persegue. Por onde andamos, a vemos em muros, camisetas, até em pedras nas montanhas. Entendíamos a mensagem, mas não o contexto em que estava inserido.

Descobrimos neste dia do que se tratava. A campanha “No a la mina” conta com o apoio de milhares de pessoas de diversas cidades que, todo dia 4, realizam ações para renovar sua negação à megamineração e extração de ouro e prata das montanhas, o que, segundo eles, já destruiu a natureza de parte da Argentina e vai acabar com o meio ambiente também nessa região.

Um dos grandes exemplos que usam para reforçar sua luta é o que aconteceu no Brasil, em Mariana e, mais recentemente, em Brumadinho. Além de lutar fortemente contra essas grandes tragédias, a campanha é a favor na natureza, do que ainda está de pé e das riquezas naturais e ambientais da região. Apoiamos!
Mais informações em www.noalamina.org.

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