De todos os marcos dessa nossa viagem louca, chegar à Colômbia era, sem dúvida, o mais especial Conseguir chegar ao nosso pai-destino é uma conquista sem tamanho. Conquista mesmo! Afinal, já são 10 meses vivendo em uma Kombi, passando pelos mais diferentes tipos de situação, aprendendo um pouco a cada dia e evoluindo muitíssimo.

Em todo esse tempo, e quase 25 mil quilômetros depois, muitos foram os pequenos objetivos, aqueles diários, que nos fizeram seguir. A próxima cidade, um ponto turístico bacana, a praia que estava logo adiante. Porém, a grande meta sempre foi a mesma: chegar à Colômbia. Não sei bem o porquê, mas esse país estava no topo da minha lista de lugares para conhecer. Agora posso dizer que tenho todos os motivos do mundo para querer estar aqui.

ESTAMOS EM CASA! Encontramos na Colômbia uma versão de Brasil ainda mais festeira, receptiva e animada. Um povo extremamente amável, curioso e interessado em ajudar e ser legal com os estrangeiros. Tem fruta em abundância, pão de aipim e carne mais barata. Como não se sentir feliz em um lugar assim?

Venezuelanos, coronavírus e a fronteira mais conturbada
Cruzamos a fronteira do Equador para cá há duas semanas e o impacto foi muito forte. Dezenas de cartazes sobre os ricos do coronavírus, venda de máscaras e luvas cirúrgicas, torneiras espalhadas por toda aduana para lavar as mãos e um ar extremo de preocupação, quase pânico. Ainda estávamos no Equador quando foram confirmados quatro casos da doença, mas em nenhum momento sentimos tanto o medo como na fronteira, embora na Colômbia ainda não tivesse nenhum caso confirmado.

Além de tudo isso, filas próprias para venezuelanos sem documentação (que estavam lotadas, por sinal), testes de saúde, barracas da Cruz Vermelha, da ONU, muita gente, muita muvuca e uma desorganização inevitável. E em meio a essa loucura, os trâmites aduaneiros mais complicados e confusos. Levamos duas horas e meia para completar todos os passos para dar saída no Equador e entrada na Colômbia.

Pelo que nos falaram, agora já está mais calmo. Diminuiu muito o número de venezuelanos saindo do seu país, e parte dos refugiados na Colômbia, no Equador e no Peru já estão retornando à Venezuela. E esse vai e vem é bem visível nas rodovias. Vimos dezenas de refugiados caminhando pelos acostamentos – tanto sentido ao norte, como sentido ao sul – em cima de cargas de caminhões, pendurados em carretas ou pedindo carona nos postos de combustível.

Conseguimos presenciar uma pequena mostra do que estão vivendo essas pessoas, com quase nada, sem documento, sem perspectiva, em países que também não estão preparados para recebê-los e mantê-los.

Os últimos dias no Equador
O Equador foi o país que mais nos surpreendeu até agora. Como um território tão pequeno pode guardar cenários tão diferentes e incríveis? Uma costa exuberante, uma serra supercultural e uma selva extremamente rica e bem conservada. Aproveitamos bem cada um dos nossos dias nesse país e cada tipo de ambiente distinto que passamos.

Nossos últimos dias foram na selva, um espaço envolvente e cheio de surpresas. Úmida, cheia de rios abundantes em água e peixes, com flores e plantas exóticas e animais que somente são encontrados aí, a Floresta Amazônica resguarda pequenos pedacinhos de paraíso, que sobrevivem muito perto da população. O que só é possível graças ao respeito e cuidado que o povo dessa região tem pela natureza e por tudo que dela provém.

No comecinho da floresta, justamente quando a montanha encontra a planície verde, está a cidade de Baños e alguns dos lugares mais fantásticos dessa área. “Cascada Machay” e “Pailon Del Diablo” são cachoeiras deslumbrantes, que surgem em meio às rochas e dão ao lugar um toque a mais de movimento. Elas estão a poucos quilômetros de distância uma da outra e, mesmo assim, entre elas, outras pequenas cachoeiras mostram o quanto de vida existe aí.
Em Puyo, uma cidade que já respira totalmente o ar amazônico, tivemos contato mais direto com a fauna e a flora da selva. Visitamos o Centro de Resgate de Macacos e o povoado de Misahualli, conhecido pela praça e pela praia dos “monos” (macacos). Eles realmente estão soltos, vivendo nas árvores mantidas em meio às ruas e comércios. Sabem que o ser humano pode oferecer boa comida e, por isso, já têm uma relação mais íntima com o povo.

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