O Luiz é um cara bem “peculiar”, como ele mesmo gosta de se chamar. Adora comer massa com molho de tomate no café da manhã, almoço e janta; guarda cada arruela e parafuso que encontra; é o rei das gambiarras; ajuda a quem pode, como pode e a qualquer momento; adora acampamento, pescaria, equipamento de acampamento e equipamento de pescaria; e leva a vida com um lema muito simples: “faz só o que tu quer”.

A Bruna é de dias: dias de felicidade e ânimo extremos, e dias de introspecção e reflexão extremas. Perdi as contas de quantas horas ficamos conversando. Começamos com a vida na Kombi, passamos pelos lugares que visitamos, pessoas que conhecemos, nossas vidas em Montenegro, política, economia, feminismo, pequenas alegrias da estrada e outros inúmeros temas. Um encontro lindo de duas pessoas que durante quase dois meses compartilharam muito, aprenderam muito e respeitaram o limite de cada uma.

Os dois, Luiz e Bruna, estão na estrada desde 2016. Já passaram por Uruguai, Argentina, Bolívia, Peru e Equador. Já nos conhecíamos: eu os entrevistei três vezes para o Jornal Ibiá (quando eu era repórter do Ibiá Mais) e uma vez para a revista Primeira Impressão, da Unisinos. Porém, precisou que estivéssemos em viagem, longe dos nossos confortos, pra que tanta conexão ocorresse. São coisas que só a estrada proporciona com tal intensidade.

Eles viveram com a gente de 16 de agosto a 5 de outubro. Juntos, percorremos a região de Mendoza, na Argentina. Fomos a Uspallata, San Juan, Lavalle e Godoy Cruz juntos. Cozinhamos juntos, almoçamos e jantamos, ficamos até altas horas conversando, perdemos a hora, conhecemos novas pessoas, consertamos as duas kombis, curtimos cada minutinho desses vários dias juntos. Mas vocês acompanharam isso, porque faz no mínimo seis semanas que falo deles e da nossa parceria nesse espaço.

E imaginem, depois dessa vivência tão intensa, como foi a separação desse time. Não tenho vergonha em dizer que chorei além da conta, que falei mais de 100 vezes sobre o nosso reencontro em outro ponto do nosso trajeto e que agradeci muitas e muitas vezes por tudo que aprendemos e pudemos evoluir com eles. Então, uso esse espaço para agradecer publicamente ao Luiz Jaeger e à Bruna Becker, do projeto “A Kombi Viajante” por tanta troca.

Nada da gente sair de Mendoza
Gente, a peça da Kombi ainda não chegou (o tal sensor MAP que estava doido e que não tem para vender aqui na Argentina). Simplesmente, não aguentamos mais ficar parados. O problema tem sido a burocracia para retirar uma encomenda vinda do exterior. São inúmeros documentos, impostos a pagar, atualizações de sistema e um passo a passo cansativo e nada fácil. Seguimos nas tentativas.

Não que essa cidade seja feia, não tenha o que fazer ou seja insegura. Muito pelo contrário! Só que não esperávamos passar tanto tempo parados em um único lugar e foi bem cansativo em alguns momentos. Mendoza, na verdade, é uma cidade muito bonita. Enquanto muitas partes da Argentina são sujas, bem secas e com poucos atrativos, a Capital Mundial do Vinho é bastante arborizada, bem cuidada e com diversas opções bacanas pra população e turistas. Cheia de parques ao ar livre, restaurantes, vinícolas e feiras, a cidade é uma ótima opção para pessoas de todas as idades. E tudo isso, com a Cordilheira dos Andes de plano de fundo. Encantador!

Mas, pra mim, chega de Mendoza! A ideia, assim que o nosso lindo sensor chegar, é seguir para o norte da Argentina, em direção à província de Jujuy, a última nesse país. De lá, cruzaremos para o Deserto do Atacama, no Chile, Bolívia, Peru, Equador (tomara já esteja mais calmo) e Colômbia.

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