Antes de sair, sabíamos que passaríamos aniversários, casamentos, formaturas, dia dos pais, Natal e outras datas especiais longe de casa e das pessoas que gostariam da nossa presença. Estávamos preparados para isso, embora em todos os dias comemorativos tenhamos sofrido um pouquinho pela distância.

Também já estávamos cientes que para viver na estrada, teríamos que abrir mão de trabalhos formais e, consequentemente, de um salário fixo mensal; de um grande espaço para morar; de itens de conforto; de gastos maiores com coisas que antes pareciam essenciais, como jantas especiais e roupas da moda. O desapego era e ainda é a palavra que mais usamos para falar dessa aventura. Também é algo que ainda estamos trabalhando internamente, e não é fácil.

Essa semana, vivi um tipo de saudade que nunca tinha experimentado e não fazia ideia que sentiria. Não nessa viagem, em meio a montanhas ainda nevadas, comidas tipicamente argentinas (comida é sempre um ponto que me deixa bem feliz e empolgada, temos que admitir) e descobertas diárias. Para explicar, vamos começar do começo: desde que me conheço por gente, faço parte do meio tradicionalista gaúcho. Participei minha infância e adolescência inteiras de grupos de dança, de departamentos jovens e da administração do Centro de Tradições Gaúchas Estância do Montenegro.

Além disso tudo, estive envolvida, durante todas as fases da minha vida, em muitas frentes de ação do tradicionalismo de Montenegro e da região, e isso me dá um baita orgulho. E qual a festa máxima do Movimento Tradicionalista Gaúcho? Exato. A Semana Farroupilha, que vocês recém viveram aí no Sul do Brasil. Pela primeira vez em 26 anos de existência, estive completamente fora de toda a correria, dos bailes, do preparo de pastéis durante as atividades do CTG, dos meus vestidos de prenda, das pessoas que dividiram palcos e limpezas do salão comigo por tantos anos.

E só então percebi que tudo, em todos os lugares, segue acontecendo. As pessoas seguem com suas vidas, a Semana Farroupilha acontecendo, nosso afilhado crescendo e descobrindo o mundo, os almoços de domingo ainda têm gritaria e muita comida boa, teus irmãos seguem com as mesmas piadas e brincadeiras toscas e tudo está em movimento, assim como eu. Só que não estou vendo tanta coisa acontecer, e isso é um pouco doloroso.

Mas, faz parte das escolhas. E isso a estrada também tem nos ensinado. Tudo tem uma consequência: seguir por essa estrada e não por aquela, estacionar neste posto, gastar com isso e não com aquilo. Sempre abrimos mão de algo para conhecer e nos aventurar com outra coisa. E gerenciar a saudade e todos os outros resultados das nossas escolhas não é uma tarefa muito fácil, mas vamos aprendendo e evoluindo. É pra isso que estamos morando em uma Kombi e percorrendo a América do Sul!

Há mais de um mês parados
Semana passada, contamos aqui que estamos com problemas mecânicos. Para quem não viu, um resumo: nosso perrengue é no sensor MAP (sensor de ar), que está desregulado, enviando mais ar do que o motor precisa. Por causa disso, a Kombi está falhando direto, principalmente quando estamos em alta velocidade, e apagando quando estamos muito devagar.

Não encontramos essa peça por aqui. Como na Argentina as últimas kombis foram fabricadas há quase 30 anos, eles não têm peças de reposição dos modelos mais novos. Então, o pai do Rodrigo se encarregou de comprar a peça e nos enviar pelo Correio para o nosso mecânico, em Mendoza (valeu, Vando e Nice). Agora estamos esperando ela chegar. Enquanto isso, estamos aproveitando para conhecer Mendoza e as cidades vizinhas.

Condomínio brasileiro em um posto argentino
Na última semana, vivemos um momento superbacana. E falando só português, o que tem sido raro por aqui. Já estamos há um tempão com os amados do projeto “A Kombi Viajante”, a Bruna e o Luiz. Eles são de Montenegro também e, não sabemos explicar como e nem o porquê, mas nossa vibe fechou e estamos vivendo dias incríveis juntos.

Além deles, encontramos o casal do “Mundi 360”, a Ale e o Leo. Eles são paranaenses e estão percorrendo o mundo em uma Land Rover Defender. Eles saíram quase junto com a gente de casa e nos encontraram no estacionamento do mercado em Mendoza. Coincidências da vida.

Juntos, fomos a um posto de combustível para tomar banho. A ideia era chegar, usar a ducha e seguir (nós, para San Juan, e eles de volta para o centro de Mendoza). Esses poucos minutos se transformaram em três dias de muitas conversas, receitas deliciosas, risadas, histórias e uma troca impagável de vivências e experiências. Coisas que só a estrada proporciona.

Onde estamos
Estamos em San Juan, na província de mesmo nome, a 150 quilômetros de Mendoza. Essa região é cortada por diversos rios e conta com três diques lindíssimos. Dois deles nós já conhecemos. Além de uma água incrivelmente azul, eles possuem áreas de parrilla (o churrasco deles), banheiros, quiosque de lanches e bebidas, mesinhas e cadeiras bem cuidadas e preparadas para receber diversas famílias. Inclusive, mesmo durante a semana, encontramos muitas pessoas curtindo o local.

E conseguimos enxergar ali o balneário de Montenegro, que já foi cenário de muitos churrascos e tardes de diversão para nós e que por vezes ficou “deixado de lado” pela sua administração e pelos próprios montenegrinos. Que tal adotar o Baixio como um ponto de encontro de novo?

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